Uma nova reviravolta no caso do direito de Suzane von Richthofen à herança de seu tio pode aparecer nos próximos dias.
Isso porque um projeto que prevê a exclusão, na sucessão de bens, de herdeiros que cometerem crimes dolosos contra parentes de até terceiro grau foi protocolado na Câmara dos Deputados, em Brasília.
De autoria do deputado federal Fernando Marangoni (União Brasil-SP), a iniciativa propõe uma mudança no artigo 1.814 do Código Civil que atingirá diretamente Suzane.
Herança
Miguel Abdalla Neto, tio de Suzane, detinha um patrimônio de R$ 5 milhões. O médico de 76 anos foi encontrado morto em sua residência em São Paulo, no dia 9 de janeiro, aparentemente por causas naturais.
Como Abdalla Neto não era casado, não tinha filhos e não deixou testamento, Suzane — condenada por encomendar o assassinato dos próprios pais — despontou como a sucessora natural na linha hereditária.
A Justiça de São Paulo ainda determinou que ela fosse nomeada como inventariante da fortuna do tio.
Impedimento legal
Atualmente, a legislação brasileira prevê a exclusão da herança apenas para quem comete crimes graves contra o dono dos bens ou parentes diretos, como cônjuges, pais e filhos.
Por já ter sido condenada pelo assassinato dos pais, Marísia e Manfred von Richthofen, Suzane não teve direito ao patrimônio do casal, mas a lei atual não a impede de herdar bens de outros familiares.
O PL 101/2026 pretende fechar esta brecha ao estender a indignidade sucessória para crimes contra parentes de até terceiro grau.
Para o deputado Fernando Marangoni, autor do projeto, a mudança é uma medida de proteção à estrutura familiar.
“A matéria determina que alguém condenado por matar os próprios pais não tem o direito de receber herança de outros parentes, como um tio, por exemplo. Incabível esta moça se beneficiar de qualquer centavo de uma família que ela destruiu”, afirma.
Histórico e tramitação
Suzane von Richthofen cumpre atualmente em liberdade o restante da pena de 39 anos e 6 meses pela morte dos pais, ocorrida em 2002.
O projeto de lei protocolado nesta semana aguarda agora o recebimento pela Mesa da Câmara dos Deputados.
