Justiça determina Suzane Von Richthofen como inventariante de fortuna milionária

Considerada 'indigna' de receber a herança dos pais após o crime em 2002, Suzane volta a gerir um espólio familiar após a morte do tio

Suzane Von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos próprios pais, voltou aos holofotes nesta semana

Suzane Von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos próprios pais, voltou aos holofotes nesta semana | Reprodução

A Justiça de São Paulo determinou que Suzane Von Richthofen, condenada por encomendar o assassinato dos próprios pais, como inventariante da fortuna do médico aposentado Miguel Abdalla Netto, encontrado morto em casa no último mês de janeiro. A herança está avaliada em R$ 5 milhões. 

O profissional de saúde era tio de Suzane e não deixou testamento. Como herdeira colateral, ela e seu irmão, Andreas, estão na linha de sucessão do médico. Miguel não era casado e não teve filhos.

Disputa familiar e acusação de furto.

O caso acontece em meio a uma disputa familiar pela herança entre Suzane Von Richthofen e sua prima, Silvia Gonzalez Magnani.

Magnani era ex-companheira de Miguel e também disputava o posto de inventariante do espólio. Foi ela quem liberou o corpo do médico do Instituto Médico Legal (IML) e providenciou o sepultamento.

Além disso, a decisão a favor de Suzane aconteceu algumas semanas depois de Silvia Magnani acusar a prima de furto. Segundo o boletim de ocorrência, a familiar teria tentado se apropriar indevidamente de uma lavadora de roupas, um sofá, uma cadeira e uma bolsa contendo documentos e dinheiro.

Magnani afirma que os itens foram retirados sem autorização da casa de Miguel após a morte dele.

Apesar disso, a juíza Vanessa Vaitejunas Zapater, da 1ª Vara da Família e Sucessões do Foro Regional II de Santo Amaro, destacou que Silvia Magnani era parente colateral de quarto grau e não possui preferência sucessória.

Em nota, as advogadas de Magniani afirmaram estar surpresas com a nomeação de Suzane como inventariante antes do término do prazo concedido para a apresentação dos documentos que comprovariam a união com Miguel. A data limite era 10 de fevereiro. As defensoras anunciaram que vão recorrer da decisão.

O que diz a Justiça?

O Código Civil afirma que sobrinhos e parentes colaterais de terceiro grau precedem os primos na ordem de vocação hereditária (quarto grau).

Como Suzane foi a única familiar a se habilitar formalmente nos autos como herdeira, a Justiça considerou que ela é a única pessoa apta a exercer o encargo de inventariante. Já seu irmão, Andreas Von Richthofen, optou por renunciar à fortuna do tio.

Mesmo com a nomeação, Suzane Von Richthofen terá poderes limitados. A decisão judicial autorizou apenas atos de conservação dos bens herdados, não permitindo a venda, transferência ou uso pessoal sem autorização prévia da Justiça.

O inventário ficará suspenso até o julgamento definitivo da ação que apura a união estável de Silvia Magnani com Miguel.

Condenação de Suzane e posição de Miguel.

Suzane Von Richthofen cumpre pena de 39 anos de prisão em regime aberto após ter mandado matar os próprios pais em 2002, na residência onde o casal vivia. A herança era estipulada em R$ 10 milhões.

Na época, Miguel recorreu à Justiça e conseguiu torná-la indigna para receber os bens. Com isso, a fortuna ficou integralmente com Andreas Von Richthofen.