Preço da cebola provoca emergência em cidades de Santa Catarina

Nos decretos, as administrações municipais destacam que a cebola está entre as principais atividades econômicas locais

Um levantamento técnico aponta que o custo médio de produção da cebola é de R$ 1,33 por quilo, enquanto o valor pago ao agricultor na última safra ficou em torno de R$ 1,20

Um levantamento técnico aponta que o custo médio de produção da cebola é de R$ 1,33 por quilo, enquanto o valor pago ao agricultor na última safra ficou em torno de R$ 1,20 | Pexels

A crise no mercado da cebola levou sete municípios de Santa Catarina a decretarem emergência. A decisão foi tomada após produtores registrarem queda de cerca de 50% no valor pago pelo quilo do alimento, cenário que ameaça a principal fonte de renda de milhares de agricultores familiares no Estado.

Além de Ituporanga, referência nacional na produção de cebola, a medida foi adotada por cidades do Alto Vale do Itajaí, da Grande Florianópolis e do Meio-Oeste.

A desvalorização afeta diretamente economias locais dependentes da cebolicultura, com reflexos no comércio, nos serviços e na arrecadação municipal.

Municípios afetados e impacto regional

No Alto Vale do Itajaí, decretaram emergência Atalanta, Chapadão do Lageado e Imbuia. Já fora da região, a crise levou Alfredo Wagner e Leoberto Leal, na Grande Florianópolis, e Lebon Régis, no Meio-Oeste, a adotarem a mesma medida.

Nos decretos, as administrações municipais destacam que a cebola está entre as principais atividades econômicas locais. Com os preços em queda, produtores enfrentam dificuldades para honrar compromissos e manter a atividade no campo.

Produção abaixo do custo e perdas milionárias

O reconhecimento da emergência permite que as prefeituras adotem ações excepcionais, como renegociação de dívidas, apoio no acesso a crédito rural e revisão de prazos administrativos, na tentativa de reduzir os prejuízos.

Um levantamento técnico aponta que o custo médio de produção da cebola é de R$ 1,33 por quilo, enquanto o valor pago ao agricultor na última safra ficou em torno de R$ 1,20, abaixo do necessário para cobrir os gastos.

Segundo o engenheiro agrônomo Volmir Borssatto, de Ituporanga, o preço ideal para garantir equilíbrio financeiro seria de R$ 2 por quilo, patamar alcançado pela última vez na safra 2023/2024. Nesse cenário, a arrecadação regional poderia variar entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões. Com os preços atuais, a estimativa cai para cerca de R$ 100 milhões.

Somente em Ituporanga, a colheita deste ano chegou a 158 mil toneladas. Parte da produção segue armazenada à espera de reação nos preços, mas o prazo é curto.

A partir de março, a entrada da cebola argentina no mercado brasileiro pode aumentar a pressão, mesmo com expectativa de menor volume importado.