Chip da beleza: o que é, como funciona e quais os riscos do implante hormonal

Polêmico implante que virou febre entre influenciadoras será discutido por especialistas no Arnold Sports Festival

As falsas promessas criam a ilusão de necessidade do recurso para obter uma melhora na estética sem precisar passar pelo demorado processo de treinos em uma academia

As falsas promessas criam a ilusão de necessidade do recurso para obter uma melhora na estética sem precisar passar pelo demorado processo de treinos em uma academia | Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O chip da beleza é um tema que vem ganhando cada vez mais repercussão na mídia, principalmente quando o assunto é a busca pelo “corpo perfeito” ou para “ganhos rápidos” com a menor necessidade de trabalho ou esforço possível.

Embora o implante apresente resultados próximos dos esperados, o uso dessa artimanha pode gerar efeitos colaterais adversos e até mesmo, em certos casos, debilitar a saúde do usuário.

Pensando nisso, a equipe da Gazeta desenvolveu um guia explicando os efeitos, riscos e se deve ou não ser utilizado.

O que é o chip da beleza e como funciona?

A ferramenta é um implante de gestrinona, um hormônio masculino criado há 40 anos pelo ginecologista brasileiro Elsimar Coutinho. De acordo com a clínica do próprio médico, o medicamento foi desenvolvido para controlar doenças relacionadas ao ciclo menstrual e auxiliar na contracepção.

Por causa disso, a principal recomendação é usar o implante para tratar doenças como:

  • Endometriose;
  • Menstruação excessiva;
  • Menopausa;
  • Presença de miomas no útero ou ovários e;
  • Tensão pré-menstrual.

Na prática, não há realmente um chip. O procedimento se trata, na verdade, de um implante hormonal feito de silicone e instalado abaixo da pele, próximo à camada de gordura, em regiões como glúteos, braços e abdômen.

A aplicação é realizada geralmente depois de uma anestesia no local. Após a instalação, há uma liberação constante de gestrinona e, em alguns casos, liberação de outros hormônios na corrente sanguínea.

O paciente pode precisar substituir o implante devido ao uso prolongado, ocasionalmente em períodos entre seis meses a um ano.

O hormônio, quando presente na corrente sanguínea, se liga a uma proteína presente no núcleo de certas células, que se ligam aos hormônios masculinos que estão presentes nos músculos e na pele. A ligação pode desencadear uma série de reações químicas que favorecem o ganho de massa popular.

Riscos e falsa sensação de progresso

O chip da beleza promete soluções para problemas estéticos e hormonais, o que popularizou o nome mais conhecido do recurso. Entretanto, a comunidade médica alerta que o uso do implante carece de evidências robustas obtidas em estudos que comprovem sua segurança e eficiência.

As falsas promessas criam a ilusão de necessidade do recurso para obter uma melhora na estética sem precisar passar pelo demorado processo de treinos em uma academia, ou até mesmo um aumento na capacidade sexual.

A prescrição de hormônios para fins estéticos é proibida. Porém, a popularização do recurso foi impulsionada depois que modelos e influenciadoras começaram a usar o implante para ajudar a “manter a forma”.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), assim como o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), proíbem e/ou contraindicam o uso de implantes do gênero, principalmente pela falta de provas sobre o uso seguro.

Outro ponto de alerta é que os implantes, muitas vezes, misturam mais de um hormônio ou substância química de forma inadequada. As composições são geralmente alinhadas de acordo com o desejo do usuário. 

Órgãos de saúde alertam que a utilização indevida pode ocasionar danos graves à saúde, incluindo:

  • Cardiovasculares: infarto, trombose e tromboembolismo;
  • Metabólicos/Hormonais: Elevação da pressão arterial, disfunção hepática;
  • Efeitos androgênicos: acne severa, queda de cabelo (alopecia), aumento de pelos no rosto e corpo (hirsutismo), engrossamento da voz;
  • Queda de cabelo;
  • Aumento de pelos no corpo;
  • Outros: insônia, dores de cabeça, alterações de humor e aumento da oleosidade da pele.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) pontua que o uso deve ser terapêutico, mas sempre com segurança e ética.

Mais detalhes no Arnold Sports Festival South America 2026

A obsessão e aumento da popularidade e uso do chip da beleza será tema de uma das palestras no Arnold Sports Festival South America 2026.

O evento levará em conta os efeitos e resultados clínicos e estéticos do implante, criando o debate sobre segurança, saúde e bem-estar, ao mesmo tempo em que a seguinte dúvida é esclarecida: o chip da beleza é anabolizante?

A palestra será ditada pelo Dr. Luiz Paulo, referência em tratamentos hormonais e destaque nacional em sua área de atuação. Ele possui uma clínica em Curitiba, no Paraná, e explica o assunto com maestria.

Esse e outros assuntos serão abordados em palestras no Arnold Sports Festival South America 2026.

O GMG (Gazeta Media Group Brasil) é parceiro oficial do evento, programado para acontecer entre 24 e 26 de abril, no Expo Center Norte, em São Paulo, e já trabalha com produção diária de conteúdos.