País fica mais rico, mas desigualdade social aumenta e expõe abismo na renda

Apesar da alta na renda média do brasileiro, os ganhos financeiros se concentraram no topo da pirâmide e ampliaram a distância entre as classes

Imagem retrata a desigualdade social no Brasil

Renda média do brasileiro atinge maior nível da série histórica, mas concentração de ganhos entre os mais ricos faz desigualdade avançar novamente no País / Eduardo Anizelli/Folhapress

A renda dos brasileiros alcançou o maior patamar da série histórica em 2025, mas o avanço veio acompanhado de um sinal de alerta. A desigualdade social aumentou.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os ganhos foram distribuídos de forma desigual entre as diferentes faixas da população, com crescimento mais intenso entre os grupos de maior renda.

O movimento interrompe uma tendência recente de redução da desigualdade e revela que a melhora dos indicadores econômicos não foi sentida da mesma forma por todas as famílias brasileiras.

Rendimento do brasileiro bateu recorde 

Segundo o levantamento, a renda domiciliar per capita chegou a R$ 2.264 em 2025, alta de 6,9% em relação ao ano anterior e o maior valor já registrado pela pesquisa.

O resultado foi impulsionado pelo fortalecimento do mercado de trabalho e pelo aumento dos rendimentos das famílias. Ainda assim, a evolução da renda aconteceu de forma concentrada, favorecendo principalmente os estratos mais elevados da população.

Desigualdade social aumenta

Os dados mostram que os 10% mais ricos tiveram crescimento médio de 8,7% nos rendimentos ao longo de 2025, alcançando renda média de R$ 9.117 por pessoa.

Entre os 10% mais pobres, o avanço foi de apenas 3,1%, percentual inferior à média nacional e bem abaixo do observado nasfaixas de renda mais altas. O aumento da riqueza gerada no país beneficiou mais intensamente quem já estava no topo da distribuição de renda.

Distância entre ricos e pobres voltou a crescer

A concentração dos ganhos aparece de forma ainda mais clara quando se compara o rendimento dos extremos da população.

Em 2025, os 10% mais ricos passaram a receber, em média, 13,8 vezes mais do que os 40% mais pobres. No ano anterior, essa relação era de 13,2 vezes.

O aumento indica que a recuperação econômica observada nos últimos anos não foi suficiente para reduzir o abismo existente entre as diferentes camadas sociais.

O topo da lista domina o dinheiro do país

Outro indicador reforça o avanço da concentração de renda. Em 2025, os 10% mais ricos ficaram com 40,3% de toda a massa de rendimentos do país.

No ano anterior, essa participação era de 39,6%. O dado mostra que uma parcela maior da riqueza produzida no Brasil passou a ficar concentrada entre as famílias de maior poder aquisitivo, mesmo com o crescimento da renda média da população.

Desigualdade interrompe ciclo de melhora

O índice de Gini do rendimento domiciliar per capita, principal indicador usado para medir desigualdade, subiu de 0,504 para 0,511 entre 2024 e 2025.

Quanto mais próximo de 1, maior é a concentração de renda. A alta registrada no último ano representa uma reversão da trajetória de melhora observada desde o período pós-pandemia.

Apesar da piora, o indicador ainda permanece abaixo do nível registrado antes da crise sanitária. Em 2019, o índice havia alcançado 0,543.

Os números reforçam uma realidade conhecida pelos economistas. Aumento da renda média não significa necessariamente redução das desigualdades.

Embora o país tenha registrado avanço nos rendimentos em 2025, a maior parte dos ganhos ficou concentrada entre os grupos mais ricos.

O resultado evidencia que crescimento econômico e distribuição de renda podem seguir caminhos diferentes, especialmente quando os benefícios da expansão não alcançam todas as camadas da população na mesma intensidade.