CPI do Carnaval de rua é protocolada em SP após suspeitas sobre contratos

Pelo menos 19 vereadores paulistanos votaram a favor da CPI, inclusive 3 da base governista

Para entrar em vigor de fato, o tema depende de um acordo entre oposição e governo

Para entrar em vigor de fato, o tema depende de um acordo entre oposição e governo | Divulgaçação/Alef Fera

A vereadora Amanda Paschoal (PSOL) protocolou nesta terça-feira (3/3) um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a estrutura contratada pela SPTuris para o Carnaval de rua de São Paulo de 2026. Pelo menos 19 vereadores da Casa assinaram o texto.

Para entrar em vigor de fato, o tema depende de um acordo entre oposição e governo e conquistar pelo menos 28 votos dos 55 parlamentares paulistanos.

Além de todos os vereadores do PT e do PSOL, a CPI contou com assinatura de três membros da base do governo do prefeito Ricardo Nunes (MDB): Gabriel Abreu (Podemos), Silvão Leite (União Brasil) e Adilson Amadeu (União Brasil).

O que a vereadora alegou

No requerimento, a vereadora do PSOL afirma que a CPI tem o objetivo de “investigar possíveis irregularidades, falhas e omissões relacionadas ao planejamento, à gestão, ao orçamento e à infraestrutura do Carnaval de Rua 2026, na cidade de São Paulo”.

Como exemplo, ela disse que “um episódio grave envolvendo dois megablocos demonstrou a grave omissão do Poder público, que poderia ter resultado em uma tragédia maior”, em relação a dois blocos que se encontraram na rua da Consolação, causando cenas de aglomeração fora de controle.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que a atual gestão foi a primeira na cidade a criar uma política exclusiva de fomento aos blocos de Carnaval.A nota disse ainda que o prefeito Ricardo Nunes (MDB) pediu, em fevereiro, uma investigação interna sobre as denúncias envolvendo a empresa MM Quarter e determinou que todos os contratos da empresa passem por auditoria.

Demissões da SPTuris

Nunes anunciou a demissão do secretário-adjunto de Turismo (SPTuris), Rodolfo Marinho, no fim de fevereiro. O mandatário anunciou também que o subprefeito da Sé, Coronel Salles, assumiria a presidência da SPTuris no lugar de Gustavo Pires – o emedebista não citou Pires diretamente.

As demissões ocorreram após uma série de reportagens do portal Metrópoles que indicam contratos milionários da SPTuris com empresa de ex-sócia de Marinho.

Segundo o portal, a empresa MM Quarter Produções e Eventos está no nome de Nathalia Carolina da Silva Souza, que além de ex-sócia, também trabalhou com Marinho em um gabinete de deputado.

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Após as denúncias, Nunes pediu para que a Controladoria Geral do Município (CGM) investigasse o caso.

Entenda

De acordo com o portal G1, a agência Quarter assinou pelo menos 24 contratos somente com a SPTuris para prestação de serviços de eventos, com valor superior a R$ 239 milhões em quatro anos. 

Um dos contratos ativos é para a contratação de guias de turismo bilíngues para o atendimento de turistas durante o Carnaval de rua, com contrato de R$ 9,4 milhões.

Nathalia foi sócia minoritária do secretário Rodolfo Marinho da Silva em uma empresa de comunicação, a Legiscom Publicidade e Consultoria LTDA, que prestou serviços eleitorais ao vereador Gilberto Nascimento JR (PL) e o pai dele, o deputado federal Gilberto Nascimento, nas campanhas de 2020 e 2022. Ela tinha 1% da empresa.

Nathália e Rodolfo Marinho também trabalharam juntos no gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL) em 2017, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).