Fragmentação da transmissão: torcedores gastam R$ 180 por mês para assistir o seu clube em 2026

Levantamento aponta que a pulverização dos direitos de imagem obriga o fã a assinar ao menos cinco plataformas diferentes para acompanhar o time em todos os torneios da temporada

Custo mensal com plataformas de streaming chega a R$ 180,60 para o torcedor em 2026

Custo mensal com plataformas de streaming chega a R$ 180,60 para o torcedor em 2026 | Reprodução/Freepik

O fã de futebol brasileiro tem vivido um dilema recentemente: saber como e onde assistir aos jogos de seu time. Desde 2019, quando o streaming esportivo chegou com mais força ao Brasil, a transmissão da modalidade começou a mudar no País.

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De lá para cá, os direitos de transmissão se fragmentaram entre diversas plataformas. Amazon Prime Video, CazéTV, Disney+ Premium e Paramount+ passaram a dividir espaço com a televisão aberta e os canais por assinatura.

Segundo levantamento realizado pela reportagem, um torcedor de um clube da Série A que dispute um torneio continental, além das competições nacionais, precisa desembolsar aproximadamente R$ 180 por mês para acompanhar todas as partidas da equipe ao longo da temporada – a conta exclui os estaduais, encerrados na última semana.

Quanto custa assistir aos jogos

Para acompanhar competições como Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Copa Sul-Americana, o torcedor precisa recorrer a diferentes serviços de transmissão.

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Entre eles está o Globoplay com Premiere, avaliado em cerca de R$ 48,90 por mês, que concentra partidas do Campeonato Brasileiro, além de jogos da Copa do Brasil.

Outra plataforma necessária é o Amazon Prime Video, com mensalidade de R$ 19,90, responsável por exibir partidas exclusivas de clubes vinculados ao Brasileirão, além de confrontos da Copa do Brasil.

Nos torneios continentais, a principal distribuição ocorre por meio do Disney+ Premium, que custa aproximadamente R$ 66,90 e reúne os canais ESPN, responsáveis por grande parte das transmissões da Libertadores e da Sul-Americana.

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Já o Paramount+, com valor mensal em torno de R$ 44,90, também possui jogos exclusivos das duas competições organizadas pela Conmebol.

Somados, os serviços chegam a R$ 180,60 mensais, considerando os valores praticados em março de 2026.  Algumas plataformas oferecem descontos em planos anuais ou pacotes combinados com operadoras, enquanto outros meios oferecem algumas transmissões gratuitamente, como Cazé TV, GE TV e sinais de TV aberta com os direitos.

Fragmentação

Para Fábio Wollf, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo, o cenário da transmissão esportiva mostra como o futebol entrou de vez na lógica do streaming e da fragmentação.

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“Esse cenário mostra como o futebol entrou de vez na lógica do streaming e da fragmentação de direitos. Hoje, para acompanhar todos os jogos do seu time nas principais competições, o torcedor precisa praticamente montar um ‘pacote próprio’ de transmissões, assinando diferentes plataformas. Quando somamos esses serviços, chegamos a um valor mensal relevante, que gira em torno de R$ 180. Isso levanta uma discussão importante sobre acessibilidade do produto futebol e também sobre como clubes e ligas podem equilibrar receita com a experiência do torcedor”, afirma.

Segundo Rene Salviano, CEO da Heatmap e especialista em marketing esportivo, a divisão em diferentes plataforma foi uma ação que beneficiou as oportunidades de mercado, mas que também dificultou o acesso dos torcedores aos serviços de transmissão pelo aumento dos preços.

“Nos últimos anos, o mercado de direitos de transmissão do futebol no Brasil evoluiu muito trazendo várias opções para os fãs que passaram a ter a opção de diferentes plataformas. Isso ampliou a concorrência e abriu novas oportunidades comerciais, mas também fez com que o torcedor precisasse assinar vários serviços para acompanhar todas as competições do seu clube. No fim das contas, o custo mensal para consumir futebol acabou ficando mais alto e o desafio agora é equilibrar esse novo modelo de distribuição com uma melhoria contínua da experiência do torcedor”, analisa.

A divisão entre Libra e Liga Forte União

A fragmentação das transmissões também está ligada à disputa comercial entre dois blocos de clubes: a Libra e a Liga Forte União (LFU).

A divisão surgiu após a aprovação da chamada Lei do Mandante, que concedeu aos clubes o direito de negociar individualmente a transmissão de suas partidas como mandantes.

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Com isso, os contratos passaram a ser firmados de forma separada. Enquanto os clubes da Libra mantêm parceria predominante com o Grupo Globo, as equipes ligadas à LFU distribuíram seus jogos entre diferentes empresas.

Esse cenário faz com que um torcedor precise acompanhar transmissões em plataformas distintas, especialmente quando seu time atua fora de casa contra equipes de outro bloco.