Ibaneis Rocha (MDB) encerrou sua passagem pelo Governo do Distrito Federal em 28 de março de 2026. A gestão, que começou em 2019 com promessas de choque de gestão, terminou com o político isolado de antigos aliados da direita.
O desfecho do governo foi marcado por uma tentativa de desvincular sua imagem de escândalos financeiros. Ibaneis deixa o Palácio do Buriti após sete anos, entregando o comando da capital federal à vice-governadora Celina Leão (PP).
Embora tente consolidar uma narrativa de “missão cumprida”, o governador sai do cargo em um momento de fragilidade. A renúncia, necessária para as eleições, ocorreu em meio a pressões por CPIs e investigações judiciais.
Obras de mobilidade marcam vitrine final de Ibaneis
O fim da gestão Ibaneis é sustentado visualmente por um canteiro de obras em todo o DF. O Túnel Rei Pelé e a drenagem da Asa Norte são os principais trunfos apresentados pelo ex -governador como prova de eficiência.
Ao todo, o governo afirma ter entregue 7,3 mil intervenções. Contudo, promessas estruturais como a expansão do metrô ficaram pelo caminho.
Para analistas, essa estratégia de “entrega de asfalto” foi a principal ferramenta de marketing político para o Senado. Mas o setor termina o ciclo com pendências e obras em regiões como Sol Nascente dependendo de novos aportes.
Crise bilionária no BRB
O fator que mais pesou no fim do governo foi o colapso financeiro no Banco de Brasília (BRB). Operações com o Banco Master geraram um rombo que varia entre R$8 bilhões e R$13 bilhões nas contas da estatal.
A crise bancária contaminou o clima político na Câmara Legislativa nas últimas semanas de mandato. Opositores acusam o governo de falta de transparência e de utilizar a máquina pública para tentar socorrer a instituição financeira.
Ibaneis negou irregularidades até o último dia no cargo, mas a judicialização do caso enfraqueceu seu poder de articulação. O rombo no BRB é visto como a “herança tóxica” deixada para a nova administração do Distrito Federal.
Somado a isso, o ciclo fiscal fechou com um reforço de R$ 765 milhões aprovado pela CLDF para o Iprev. O crédito, voltado ao pagamento de aposentados da Educação, sinaliza as fragilidades orçamentárias herdadas pela nova gestão.
A manobra, que utilizou excesso de arrecadação e cortes na segurança pública, foi o último ato legislativo do mandato. Ibaneis negou irregularidades, mas a judicialização do rombo no BRB é vista como sua principal “herança tóxica”.
Saúde pública chega ao fim de 2026 com déficit crônico
Diferente da vitrine de obras, a saúde pública encerra o período Ibaneis sob duras críticas. Promessas de construção de cinco grandes hospitais não saíram do papel, com apenas duas unidades em fases iniciais de fundação.
O governo também foi marcado por escândalos de corrupção no Iges-DF, o instituto que gere hospitais da capital. Prisões de gestores durante a pandemia e a crise da dengue em 2024 deixaram a marca de desassistência no setor.
Para a população, o fim da era Ibaneis é sentido nas longas filas e na falta de médicos em diversas regiões administrativas. Esse cenário de precariedade contrasta diretamente com o equilíbrio fiscal anunciado pelo governador.
Futuro político de Ibaneis depende de herança eleitoral
Ao renunciar, Ibaneis Rocha aposta que o legado de obras será suficiente para superar o desgaste das crises. Entretanto, o rompimento com o PL de Michelle Bolsonaro retirou o apoio da direita conservadora no DF.
O ex-governador agora busca reconstruir pontes com o centro e com o MDB nacional para viabilizar sua candidatura. O resultado nas urnas será o julgamento final sobre a eficácia de sua gestão à frente da capital do país.
A transição para Celina Leão é vista como o último ato de um governo que tentou ser técnico, mas terminou mergulhado na política tradicional. O DF agora aguarda para ver se o modelo de Ibaneis resistirá ao crivo dos eleitores.





