Marcos Frota fala à Gazeta e destaca megaestrutura do Mirage Circus no Vale do Paraíba

Mirage Circus, comandado pelo ator e empresário Marcos Frota, chegou a São José dos Campos, para uma temporada que já chama a atenção do público

Marcos Frota é o responsável por comandar o Mirage Circus; atração movimenta a região do Vale do Paraíba

Marcos Frota é o responsável por comandar o Mirage Circus; atração movimenta a região do Vale do Paraíba | Lucas Lacaz Ruiz/A3

O Mirage Circus, comandado pelo ator e empresário Marcos Frota, chegou a São José dos Campos, no Vale do Paraíba, para uma temporada que já chama a atenção do público.

Inspirado nos grandes espetáculos de Las Vegas, o circo aposta em uma superestrutura, com mais de 800 toneladas de equipamentos modernos, e em atrações que vão além do picadeiro. O espaço reúne roda-gigante, carrossel, praça de alimentação e um elenco de artistas que se destaca ao longo das apresentações.

Malabaristas, trapezistas, bailarinas, mágicos e palhaços se revezam em números que impressionam o público, em um espetáculo voltado a todas as idades. Instalado na Avenida Florestan Fernandes, no Jardim Serimbura, o Mirage combina entretenimento, emoção e elementos de nostalgia.

Para abordar a tradição circense, que atravessa gerações e segue atraindo plateias, a Gazeta conversou com exclusividade com Marcos Frota, anfitrião do Mirage Circus.

Gazeta de S.Paulo: O Mirage Circus se apresenta como uma experiência que conecta gerações. Na sua visão, qual é o papel do circo na formação cultural das crianças e jovens de hoje?

Marcos Frota: É fundamental despertar nas crianças a sensibilidade, a atenção, a percepção e a vontade de brincar. Essa deve ser sempre a principal vocação do circo: aproximar gerações e incentivar a construção de vínculos. Mais importantes do que o dinheiro que se ganha são os amigos que se faz. Tirar as crianças da frente das telas, especialmente na primeira infância, é essencial, e o circo cumpre muito bem esse papel.

O espetáculo mistura tradição circense com tecnologia de ponta e linguagem moderna. Como equilibrar essa inovação sem perder a essência histórica do circo?

A tecnologia no circo só faz sentido quando está a serviço do talento do artista. Ela contribui para dar mais ritmo ao espetáculo, gerar surpresa e ampliar o encantamento. A essência do circo permanece a mesma, e todos os elementos devem respeitar isso.

No Mirage, há uma direção artística que garante esse equilíbrio. É um circo clássico e contemporâneo ao mesmo tempo: erudito, mas também popular, que utiliza luz, telões, trilha sonora e efeitos especiais sempre valorizando o artista circense.

Em um mundo cada vez mais digital, o que faz o circo ainda ser uma experiência tão poderosa e relevante para o público contemporâneo?

Vivemos na era da tecnologia e da inteligência artificial, e tudo isso é bem-vindo quando bem utilizado. No entanto, nada substitui o contato presencial, a alegria compartilhada e o sentimento de que a vida vale a pena. O circo proporciona exatamente isso: esperança, emoção e conexão humana. É no picadeiro, ao vivo, que essa experiência se torna única.

O Mirage Circus é inspirado nos grandes shows de Las Vegas. O que você trouxe dessa referência internacional e como adaptou isso à realidade e à cultura brasileira?

Todo o grupo trabalha com o objetivo de escrever uma nova página no circo brasileiro contemporâneo. O Mirage é um circo brasileiro com padrão internacional, aberto a diversas influências — não apenas de Las Vegas, mas também do Cirque du Soleil, do Circo Tihany e de grandes parques temáticos europeus.

O circo rompe barreiras de idioma e reúne diferentes culturas em uma mesma essência: o trapézio, o palhaço, o equilíbrio, a magia, os números aéreos. Cada um imprime seu estilo — como numa feijoada, em que o segredo está no tempero de cada um.

A estrutura grandiosa, com artistas internacionais e mais de 200 profissionais, impressiona. Que mensagem você acredita que essa grandiosidade transmite sobre o circo brasileiro hoje?

O Mirage Circus se posiciona como uma referência de profissionalismo, trabalho em equipe, foco e responsabilidade em acolher e surpreender o público. Temos muito a contribuir para a atividade circense no país, fortalecendo o circo como manifestação cultural e artística, além do entretenimento. Também assumimos a missão de formar uma nova geração de profissionais mais preparados.

Hoje, o artista circense precisa ser completo: cantar, dançar, interpretar e executar números técnicos. O circo é uma arte universal, inserida em um mundo cada vez mais globalizado.

Você é reconhecido como um grande defensor da arte circense no Brasil. O que te motiva pessoalmente a continuar investindo e inovando nesse universo?

O que mais me motiva é participar da construção de um circo brasileiro com padrão internacional e contribuir para a formação de uma nova geração nessa área que tanto respeito. Com mais de 50 anos de carreira no teatro, na televisão, no cinema e no circo, vejo nessa trajetória a oportunidade de retribuir tudo o que recebi ao longo dessas cinco décadas nas artes.

O espetáculo tem forte apelo familiar e emocional. Como você enxerga o circo como um espaço de encontro entre pais, filhos e diferentes gerações?

O circo é, essencialmente, um espaço de encontro, convivência e mobilização. É a oportunidade de viver uma experiência coletiva única. Reunir diferentes gerações é o que nos encanta e motiva: preparar um espetáculo em que todos se sintam à vontade para se divertir e se emocionar.

O público sai com o coração cheio de esperança. É por isso que o circo atravessa o tempo e conecta pais, filhos e avós.

Em tempos em que muitas tradições culturais enfrentam desafios para se manter vivas, qual é o segredo para garantir que o circo continue encantando o público pelas próximas décadas?

O segredo está no encontro entre tradição e contemporaneidade. O circo sempre fez parte do imaginário popular – quem nunca sonhou em estar no circo?

Manter essa arte viva exige cuidado, criatividade e profissionalismo. É assim que conseguimos levar adiante a história do circo e garantir sua relevância para as próximas gerações.