A Enel divulgou nesta quinta-feira (10/4) uma nota em que reafirma o interesse em renovar a concessão de distribuição de energia em São Paulo e nega rumores sobre negociações para venda ou transferência do controle da operação paulista.
Em meio ao avanço do processo na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Enel divulgou a nota enquanto a agência analisa a possibilidade de recomendar a caducidade do contrato da concessionária em São Paulo.
A medida pode levar ao encerramento antecipado da concessão, atualmente válida até junho de 2028.
No comunicado, a empresa afirma que mantém compromisso de longo prazo com o Brasil e classifica o país como estratégico para o grupo.
A Enel também declara confiar na atuação “isenta e independente do regulador”, em referência à Aneel, e defende segurança jurídica no processo de análise.
A companhia ainda sustenta que o debate sobre o futuro da concessão deve considerar soluções estruturais para o sistema de distribuição de energia diante dos impactos das mudanças climáticas em São Paulo.
Com a negativa de “especulações sobre negociações ou discussão envolvendo a troca de controle da distribuidora”, a empresa responde aos rumores surgidos após o agravamento da pressão política e regulatória sobre sua permanência no estado.
Nos últimos meses, a concessão da Enel em São Paulo passou a ser alvo de questionamentos após episódios de falhas no fornecimento de energia, especialmente durante temporais que deixaram milhões de consumidores sem luz.
A Aneel retomou nesta semana a análise do processo que pode resultar no fim do contrato. Em fevereiro, o diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa, votou pela caducidade da concessão e citou a possibilidade de intervenção.
Investimentos e defesa da operação
Na nota, a Enel afirma ter investido quase R$ 5 bilhões na área de concessão paulista nos últimos dois anos e contratado 1.600 profissionais para reforçar as equipes de campo.
Segundo a empresa, o tempo médio de atendimento aos clientes caiu cerca de 50% em 2025, na comparação com 2023, enquanto o percentual de interrupções prolongadas foi reduzido em 86% no mesmo período.
A concessionária atende cerca de 8,1 milhões de unidades consumidoras em 24 municípios da região metropolitana de São Paulo.
A discussão sobre o futuro da operação envolve também o Ministério de Minas e Energia, responsável por deliberar sobre eventual encerramento antecipado do contrato, caso a recomendação de caducidade avance.
