Memorial JK: por que este museu é a chave para entender quem redesenhou o Brasil

Projetado por Niemeyer, o monumento resgata a epopeia da construção e as polêmicas que cercaram a morte de Juscelino Kubitschek

Espaço inclui museu, exposições, biblioteca e também o mausoléu com os restos mortais do ex-presidente que levou a capital para o Centro-Oeste 

Espaço inclui museu, exposições, biblioteca e também o mausoléu com os restos mortais do ex-presidente que levou a capital para o Centro-Oeste  | (Mgalves80/Wikimedia Commons)

No ponto mais alto do Eixo Monumental, ergue-se uma das silhuetas mais icônicas da arquitetura moderna: o Memorial JK. Inaugurado em 12 de setembro de 1981, o museu é muito mais do que um depósito de relíquias. 

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É o marco zero da memória de um presidente que ousou transferir a capital do Brasil para o “deserto” do Centro-Oeste e, acima de tudo, um espaço de reparação histórica erguido em plena ditadura militar.

O sonho e a construção: A última obra de Niemeyer para o amigo

A história do Memorial começa com um luto e uma promessa. Após a morte trágica e ainda hoje debatida de Juscelino Kubitschek em um acidente de carro em 1976, sua viúva, Dona Sarah Kubitschek, liderou uma cruzada pessoal para erguer um local digno para o repouso do ex-presidente.

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O projeto leva a assinatura de Oscar Niemeyer, o parceiro inseparável de JK na aventura de construir a cidade em mil dias. Niemeyer desenhou uma estrutura que desafia a gravidade, com um pedestal que eleva a estátua de JK, de braço erguido, saudando a cidade que ele criou. 

Curiosamente, a obra foi realizada pela iniciativa privada e por meio de doações do povo, já que o governo militar da época impôs diversas barreiras para a construção de um monumento que exaltasse a figura de Juscelino.

A importância para a capital: O coração de Brasília

O Memorial JK é o guardião da identidade brasiliense. Ele preserva desde a faixa presidencial e as medalhas de Juscelino até o seu icônico, último carro: Ford Galaxie LTD, 1974.

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Para a capital, o Memorial funciona como um lembrete constante de que Brasília não nasceu do acaso, mas de um planejamento rigoroso e de uma vontade política que mudou o eixo econômico e demográfico do país. 

É ali que se entende que JK não construiu apenas prédios, mas um novo sentido de nacionalidade.

O Presidente Pé-de-Valsa e o legado do otimismo

Falar do Memorial é falar de Juscelino. O “Presidente Bossa Nova” ou “Pé-de-Valsa”, como era carinhosamente chamado por seu gosto pelo sereno e pela dança, personificou o otimismo dos anos 50. 

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Seu plano de “50 anos em 5” não foi apenas um slogan de desenvolvimento industrial, mas um projeto de integração nacional. 

O museu resgata esse espírito por meio de fotos, documentos e objetos pessoais que humanizam o mito e mostram o homem por trás dos grandes feitos.

O Memorial JK hoje consegue ser, simultaneamente, um templo sagrado do passado e um museu moderno conectado com o presente.

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Informações para visitantes

O memorial fica aberto de terça a domingo, de 9h às 18h. Valor do ingresso: Inteira R$ 10,00 e meia-entrada para estudantes e idosos. 

Para os visitantes portadores de deficiência física, o Memorial JK possui rampa de acesso, banheiros adaptados e um elevador interno para o 2° piso.

A área externa conta com amplo estacionamento para veículos e ônibus, onde encontra-se também o último carro de JK: Ford Galaxie LTD, 1974.