A trajetória de Elisa Pecini no fisiculturismo começou longe dos palcos e da estética. Em entrevista à TV GMG, durante o Arnold Sports Festival South America 2026, a atleta relembrou que entrou na musculação após enfrentar um grave quadro de anorexia e bulimia na adolescência.
Entre os 13 e 15 anos, ela chegou a um estado crítico de saúde, marcado por uma forte distorção de imagem e perda extrema de peso.
“Chegou um ponto que eu falei: ‘não importa se eu vou morrer, eu quero morrer magra’”, afirmou.
Segundo Elisa, a virada aconteceu após um período de internação, quando passou a buscar uma relação mais saudável com o corpo e encontrou na musculação um novo caminho.
O esporte como ferramenta de recuperação
Ao iniciar na academia, a atleta passou a entender a alimentação como parte essencial do processo, abandonando a lógica restritiva que marcou sua adolescência.
Segundo ela, a mudança foi gradual, mas determinante para sua recuperação física e mental.
“O esporte salvou a minha vida. Eu aprendi que preciso me alimentar para ter energia e saúde”, disse.
A experiência despertou também o interesse pela área acadêmica. Elisa se formou em Educação Física e atualmente está em formação em Nutrição, buscando aprofundar o conhecimento que adquiriu na prática.
Ascensão rápida na categoria Bikini
Elisa escolheu a categoria Bikini por ser compatível com seu biotipo inicial. Com o tempo, passou a se identificar com as exigências técnicas e estéticas da modalidade.
Segundo a atleta, a categoria valoriza equilíbrio físico, feminilidade e construção progressiva do corpo ao longo dos anos.
“O principal é ter um corpo atlético, com ombros destacados e cintura fina, sem exageros na definição”, explicou.
A evolução foi rápida. Ela se tornou atleta profissional aos 19 anos e, aos 22, conquistou o título da categoria no Mr. Olympia, tornando-se a mais jovem campeã da história da competição.
O alerta sobre padrões irreais
Hoje, além da carreira esportiva, Elisa utiliza sua visibilidade para conscientizar sobre os riscos da comparação e padrões irreais nas redes sociais.
Segundo ela, o físico apresentado em competições não representa a realidade do dia a dia.
“Eu sempre tento alertar que a gente não é daquele jeito 24 horas por dia. Existe luz, ângulo e preparação específica”, afirmou.
A atleta destaca que, por já ter vivido um transtorno alimentar, sente responsabilidade em orientar outras mulheres sobre saúde e equilíbrio.
Legado e transformação pessoal
Ao refletir sobre a própria trajetória, Elisa afirma que o passado difícil foi fundamental para a construção de quem ela é hoje.
Mesmo diante das dificuldades enfrentadas, ela não mudaria sua história.
“Não, porque aquilo foi necessário para a Elisa que eu sou hoje”, disse.
Para a atleta, o maior legado do esporte vai além dos títulos e está na possibilidade de impactar outras pessoas por meio do exemplo e da informação.
