Ex-governador do Paraná é preso pela terceira vez

Tucano Beto Richa é suspeito de se beneficiar do desvio de recursos do governo estadual.

A prisão preventiva de Richa foi decretada pela Justiça Estadual do Paraná, no âmbito das investigações da Operação Quadro Negro

A prisão preventiva de Richa foi decretada pela Justiça Estadual do Paraná, no âmbito das investigações da Operação Quadro Negro | /Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) foi preso na manhã desta terça-feira pela terceira vez, suspeito de se beneficiar do desvio de recursos do governo estadual.

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A prisão preventiva foi decretada pela Justiça Estadual do Paraná, no âmbito das investigações da Operação Quadro Negro – que apura um esquema de fraude em obras de escolas públicas do Paraná.

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Segundo o promotor Leonir Batisti, do Gaeco (Grupo de Combate ao Crime Organizado), Richa foi detido por suspeita de obstrução de justiça, entre outros fatos.

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Batisti afirmou, porém, que eles não estão englobados pelo salvo-conduto concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal) – que, na sexta (15), impediu novas prisões do ex-governador e de sua família em relação a outra investigação por desvio de verbas no Paraná.

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“Nós não temos intimação disso, não nos diz respeito”, afirmou Batisti à “Folha de S.Paulo”.

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O ex-governador é apontado pelo Ministério Público como chefe e principal beneficiado do esquema de corrupção em obras nas escolas, que desviou pelo menos R$ 22 milhões durante os dois mandatos de Richa (2011-2018).

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Em sua decisão, o juiz Fernando Bardelli Silva Fischer, que decretou a prisão, afirmou que há “indícios suficientes de autoria e materialidade” que justificam as medidas contra o ex-governador – como depoimentos de três delatores que apontam repasses ao tucano, laudos que confirmam irregularidades nas obras, além da assinatura de Richa na autorização de aditivos aos contratos.

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Para Fischer, o volume dos recursos desviados é de uma “gravidade excepcional” e também justifica a prisão.

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Pelo menos um delator, o empresário Maurício Fanini, afirma que o tucano pediu para que ele apagasse fotos e mensagens trocadas entre eles – o que, para o Ministério Público, configura uma tentativa de obstrução de justiça.

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Fischer considera que o episódio demonstra risco à instrução criminal, e que seria “ingênuo” pensar que o poder do ex-governador se desvaneceu com o fim de seu mandato.

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O Gaeco também cumpre mandados de busca e apreensão em três residências do tucano, incluindo duas casas na praia. (FP)