Escola militar é investigada após gravação feita por mãe revelar choro e suposta ameaça a criança de 3 anos

Episódios como uma mordida sem explicação, febre alta não comunicada à família e uma forte assadura aumentaram a preocupação dos pais

Fachada da Escola Militar de Educação Tio Chico

Brigada informou que instaurou um inquérito para apurar os fatos e que a professora responsável pela turma foi afastada temporariamente/Reprodução/Google StreetView

O comportamento de um menino de 3 anos acendeu o alerta de sua mãe e levou à descoberta de áudios que agora são alvo de investigação no Rio Grande do Sul. Após notar que o filho chorava diariamente para não ir à escola e acordava de madrugada assustado, a psicóloga Shaiane Costa decidiu colocar um gravador na mochila da criança. O material registrou momentos de choro intenso e frases atribuídas a uma professora da instituição.

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O caso ocorreu na Escola de Educação Tio Chico, em Porto Alegre, unidade mantida pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul e destinada a filhos de policiais militares. Desde então, a família busca esclarecimentos sobre o que teria acontecido com a criança dentro da escola.

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Segundo a mãe, os sinais começaram a aparecer após o período de adaptação. O menino passou a demonstrar medo de frequentar as aulas, chegava em casa dizendo que havia ficado de castigo e pedia desculpas repetidamente por situações simples do dia a dia.

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Além disso, episódios como uma mordida sem explicação, febre alta não comunicada à família e uma forte assadura aumentaram a preocupação dos pais.

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Gravação registrou choro e frases que chocaram a família

Diante das mudanças de comportamento do filho e da dificuldade de obter respostas da escola, Shaiane decidiu colocar um gravador na mochila da criança.

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Ao ouvir o conteúdo, ela afirma ter encontrado cenas que a deixaram em choque. Nos áudios, o menino aparece chorando, chamando pela mãe e pedindo sua chupeta durante um longo período.

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Em um dos trechos, uma mulher diz à criança que ela não poderá mais participar de uma atividade de pintura. Em outro momento, uma frase mais grave chamou a atenção da família: “Chora, pode chorar, chora bastante. Senão vou te dar um tiro”.

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Segundo a mãe, o menino voltou para casa rouco naquele dia. Inicialmente, ela acreditou que fosse um resfriado, mas concluiu que a perda de voz teria sido consequência do tempo que passou chorando.

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Investigação segue em andamento

Após reunir o material, a família procurou o Ministério Público do Rio Grande do Sul, que orientou a abertura de uma denúncia junto à Corregedoria da Brigada Militar.

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A Brigada informou que instaurou um inquérito para apurar os fatos e que a professora responsável pela turma foi afastada temporariamente durante as investigações. Posteriormente, ela retornou às atividades antes da conclusão do procedimento.

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Em nota, a instituição afirmou que a perícia realizada não encontrou elementos técnicos suficientes para confirmar integralmente o conteúdo divulgado nem identificar de forma conclusiva a autoria das vozes presentes nos áudios. Também declarou que não foram encontrados indícios suficientes para caracterizar crime ou infração disciplinar.

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No entanto, depoimentos de servidoras da escola que constam no processo apontam que a voz registrada nas gravações teria sido reconhecida por funcionárias da instituição.

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A professora deixou a escola ao final do ano passado, mas a Brigada Militar não informou os motivos da saída.

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Atualmente, o caso também é acompanhado pelo Ministério Público. Enquanto aguarda novos desdobramentos, a família afirma que o menino ainda apresenta reflexos da experiência. Hoje, matriculado em outra escola, ele continua demonstrando medo de portas fechadas e mantém o hábito de pedir desculpas excessivamente.

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Para Shaiane, a principal angústia permanece sem resposta. “Aquelas gravações mostram apenas um dia. O que mais ele pode ter vivido durante todo esse período?”, questiona a mãe.