Teve início em Madri (Espanha) a COP 25, órgão das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima. Trata-se de um dos eventos mais relevantes e impactantes do mundo no debate de questões como o aquecimento global; as mudanças climáticas; a proteção dos animais; dos recursos naturais e dos povos tradicionais.
Neste ano o encontro reúne representantes de quase 200 países, com o tema: “Hora da Ação”. Trata-se de um chamado para colocar em prática o “Acordo de Paris”, convenção climática global assinada em 2015. Aqueles que acompanham a pauta socioambiental devem estar questionando sobre o papel que o Brasil de Bolsonaro desempenhará no encontro.
A pergunta ganha importância especial depois que o governo federal se recusou a sediar o evento, alegando falta de verbas – algo pouco coerente para quem abriu mão de R$3 bilhões em recursos do Fundo Amazônia. Após a negativa do Brasil, a COP seria sediada no Chile, que saiu do páreo há apenas poucas semanas do seu início, devido aos protestos que tomaram conta do País. Agora o encontro acontece na Espanha.
Por mais contraditório que possa parecer, tudo leva a crer que a ambição do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é buscar recursos através de mecanismos de compensação ambiental estabelecidos no Acordo de Paris, que desde 2015 prevê ajuda financeira aos países em desenvolvimento para custear ações de redução de gases de efeito estufa.
Talvez a arrogância de Salles e Bolsonaro não os permitam enxergar quão incapazes são de oferecer quaisquer garantias de que irão cumprir sua parte do acordo. Para tanto, basta lembrar que em abril Bolsonaro extinguiu uma comissão dedicada à redução na emissão de gases de efeito estufa, conhecida como REDD , que foi reinstituída por decreto presidencial, convenientemente, há apenas 2 dias do início da COP. É oportunismo que chama?
É evidente que a Comissão voltou a existir apenas no papel, como é claro que Bolsonaro e Salles não são capazes, ou sequer têm a intenção, de cumprir acordos de redução do desmatamento e da emissão de gases de efeito estufa, como já nos apontaram os dados do INPE.