Como funcionam as novas travas criadas pelo Senado para aborto legal no SUS 

Projeto aprovado em menos de dois minutos exige boletim de ocorrência e perícia no SUS

Gestante solicita o salário-maternidade pelo celular após as novas regras do INSS.

Senado aprova projeto que exige boletim de ocorrência e perícia para liberar o aborto legal em jovens / Câmara Federal

A Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou nesta semana uma medida que endurece os critérios para a interrupção da gravidez em jovens vítimas de violência sexual.

O texto altera o atual fluxo do Ministério da Saúde ao condicionar o procedimento hospitalar à entrega de boletim de ocorrência e laudo de corpo de delito.

A aprovação em menos de dois minutos acirrou os ânimos no Congresso Nacional entre alas focadas na apuração criminal e entidades que alertam para a perda de direitos históricos.

Como as novas regras alteram o atendimento no SUS

O projeto reformula por completo o atendimento ao retirar a autonomia das equipes de saúde e repassar a validação do caso para órgãos policiais.

Com a mudança, a rede pública de saúde fica impedida de realizar intervenções cirúrgicas ou ministrar medicamentos sem os laudos da investigação.

A medida anula o protocolo humanizado vigente, que necessita unicamente do depoimento verbal da adolescente ou de seus tutores.

Parlamentares favoráveis afirmam que a cobrança dos documentos combate fraudes e blinda os profissionais de medicina contra sanções judiciais. Do lado oposto, movimentos sociais e bancadas minoritárias enfatizam que os novos trâmites burocráticos vão atrapalhar e retardar o amparo a crianças abusadas.

O receio do setor técnico é que criar barreiras administrativas impeça o atendimento célere em momentos de extrema urgência.

O Ministério dos Direitos Humanos alertou que a maior parte das agressões contra vulneráveis acontece no ambiente doméstico, cometida por pessoas próximas.

Sob essa realidade, a obrigação de procurar uma delegacia de forma imediata pode intimidar as jovens por medo de retaliações na família.

Especialistas indicam que o medo do registro pode empurrar meninas de até 14 anos para o mercado clandestino, elevando os índices de mortalidade.