Novo Parque do Bixiga aposta em reabertura de córrego oculto para transformar área histórica

Grande destaque da futura nova área verde da cidade será a reintegração do Córrego do Bexiga à paisagem urbana

Terreno do Parque Bixiga, na região central de São Paulo/Yuri Villaça/Gazeta de S.Paulo

Em maio deste ano, a Prefeitura de São Paulo anunciou o projeto vencedor do concurso público para o futuro Parque Municipal do Bixiga, no centro da Capital. O grande destaque da futura nova área verde da cidade será a reintegração do Córrego do Bexiga à paisagem urbana.

Durante anos, o terreno foi alvo de disputa entre o dramaturgo Zé Celso, fundador do Teatro Oficina Uzyna Uzona, e de Silvio Santos. Dono do local desde a década de 1980, o Grupo Silvio Santos pretendia construir três prédios de até 100 metros de altura.

Zé Celso defendia que a construção dos prédios prejudicaria as atividades culturais do teatro e desconfiguraria o projeto da arquiteta Lina Bo Bardi. O embate teve idas e vindas, entre momentos tensos e hilários entre ambos.

A situação se resolveu de vez quando a Câmara Municipal de São Paulo aprovou em definitivo a criação do Parque Bixiga por unanimidade em julho de 2024, e o projeto foi sancionado como lei pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) no mesmo mês.

Próximos passos

Ainda neste ano, a  Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) dará início ao processo de contratação do projeto executivo, etapa que antecede a realização das obras no local. O desenvolvimento do projeto executivo tem prazo previsto de 10 meses. 

Será realizada, após essa etapa, a licitação para a realização das obras. Só nesse serão definidos os prazos de execução e o valor estimado para a implantação do parque.

Entenda o projeto do Parque Bixiga

O projeto vencedor do Parque Municipal do Bixiga  propõe revelar novamente o córrego do Bixiga, hoje oculto sob a terra. 

“Mais do que recuperar um curso d’água, a proposta transforma o córrego no coração do parque, reorganizando o espaço ao seu redor e criando um eixo de convivência, natureza e permanência no Centro da capital”, informou a SVMA, em nota.

De autoria do escritório Democratoc Architects, o  projeto prevê uma passarela-deck que acompanha o córrego ao longo de seu trajeto, permitindo caminhada e contemplação, além da implantação de bosque agroecológico e mirante em formato de arquibancada.

O desenho inclui uma arquibancada-arrimo que conecta os níveis do terreno e cria uma área de permanência ao ar livre, além de infraestrutura voltada ao lazer, ao esporte e à convivência, como quadras, parquinho infantil e espaços multiuso.

Parque Alto e Parque Baixo

De acordo com os autores, a proposta adota uma abordagem contemporânea de parque urbano ao valorizar a experiência do visitante e a reconexão com a natureza. O projeto se organiza em dois níveis complementares.

No Parque Alto se concentrará equipamentos sociais e esportivos e a maior parte das edificações. Já o Parque Baixo será mais permeável e dedicado à recuperação ambiental. Nesse trecho, trilhas curvas acompanham o curso d’água e estimulam uma fruição mais lenta e integrada à paisagem.

A presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento São Paulo (IABsp), Danielle Santana, destacou que o concurso público amplia a qualidade das propostas e fortalece a participação social. 

“O desafio das equipes foi traduzir as demandas técnicas e os anseios da população em soluções inovadoras, tendo como premissa a renaturalização do córrego do Bixiga, que pode inspirar novas iniciativas em São Paulo e em outras cidades”, afirmou.

Modelo será referência

O setor inferior abrigará um programa agroflorestal de caráter educativo e contemplativo, com foco na renaturalização da área e na formação de um bosque urbano com espécies nativas. 

De acordo com o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Wanderley Soares, o projeto aponta para um modelo de cidade mais resiliente e integrado ao cotidiano das pessoas. 

“O Parque do Bixiga nasce de um processo inovador, construído a partir do diálogo com a população, de estudos técnicos qualificados e de uma visão contemporânea de cidade. Esse passo reforça nosso compromisso com a adaptação climática, a recuperação ambiental e a valorização dos rios urbanos como parte essencial da infraestrutura da cidade”, afirmou.

A gestão municipal informou ainda que a renaturalização de cursos d’água deve se tornar referência para futuras intervenções do tipo na cidade.