O envelhecimento da população brasileira vem aumentando os desafios dos hospitais no atendimento a pacientes idosos, especialmente em casos de doenças crônicas e tratamentos de alta complexidade.
Dados da Rede Hospital São Camilo Pompeia mostram que 62% dos diagnósticos de câncer de próstata na instituição acontecem entre pessoas de 60 a 69 anos. Entre os idosos acompanhados pela rede, hipertensão, diabetes e doenças cardíacas também aparecem entre as comorbidades mais frequentes.
Diante desse cenário, o hospital, que ganhou o “Prêmio Melhor de SP”, da Folha, na categoria Pronto-Socorro, lançou o “PS 60 Mais”, unidade exclusiva de urgência e emergência voltada para pacientes acima dos 60 anos.
A proposta aposta em atendimento humanizado, fluxo especializado e acompanhamento contínuo, desde a entrada no pronto-socorro até o pós-alta hospitalar.
Em entrevista à Gazeta, Fernando Pompeu, diretor médico e de práticas assistenciais da Rede São Camilo de São Paulo, afirmou que o objetivo é oferecer uma linha de cuidado mais eficiente para um público que exige atenção diferenciada.
“Valor em saúde é entregar bons resultados com menores custos. A melhor forma de fazer isso é tratar o paciente do início ao fim da sua jornada”, explica.
Fernando Pompeu, diretor médico e de práticas assistenciais da Rede São Camilo de São Paulo. Foto: Yuri Villaça/Gazeta de S. PauloHospital aposta em tecnologia e redução do tempo de espera
Um dos pilares do “PS 60 Mais” é a otimização da experiência do paciente dentro do pronto-socorro. Para isso, o Hospital São Camilo Pompeia investe em ferramentas digitais capazes de agilizar abertura de fichas, atendimento e acompanhamento de exames.
A estratégia busca reduzir o tempo de espera, considerado um dos principais desafios das unidades de emergência.
A qualidade do serviço é monitorada por meio do NPS (Net Promoter Score), indicador utilizado para medir a satisfação dos pacientes. Segundo Dr. Pompeu, a meta da instituição é manter índices acima de 76 pontos, faixa considerada “zona de excelência”.
Brasil envelhece e pressão sobre sistema de saúde aumenta
Segundo projeções do IBGE e do Ministério da Saúde, o Brasil poderá ter uma das populações mais envelhecidas do mundo até 2050, o que aumenta a necessidade de atendimento especializado para doenças crônicas, prevenção de quedas e síndromes geriátricas.
Além do câncer de próstata, o acompanhamento de comorbidades é apontado como essencial para garantir melhores resultados clínicos entre idosos. Entre os problemas mais recorrentes acompanhados pela rede estão:
- Hipertensão: 15,5%;
- Diabetes: 7,5%;
- Doenças cardíacas: 2%.
Apesar da expansão do atendimento especializado, os profissionais reforçam que o pronto-socorro deve ser utilizado apenas em situações de urgência. O acompanhamento preventivo, segundo o especialista, continua sendo o caminho mais indicado para preservar a saúde da população idosa.
“Muitas vezes, o atendimento ambulatorial pode ser mais prático e até mais resolutivo”, destaca Fernando Pompeu.
