A carne que antes ficava escondida no balcão do açougue agora aparece no centro da churrasqueira. Cortes bovinos que por muito tempo carregaram o rótulo de “segunda” começaram a ocupar um espaço que parecia reservado apenas à picanha, à maminha e à fraldinha.
Essa mudança não aconteceu por acaso. Com o preço das carnes nobres mais tradicionais e a popularização de açougues especializados, muita gente passou a olhar para partes do boi que antes eram vistas apenas como opção para panela, ensopado ou cozimento lento.
O consumidor descobriu que uma carne pode ser menos famosa, custar menos e, ainda assim, entregar maciez, sabor e suculência quando recebe o corte e o preparo certos.
Carne de segunda perdeu sentido
Durante muito tempo, a divisão entre carne de primeira e de segunda ajudou o consumidor a escolher o que levar para casa. A lógica parecia simples: os cortes traseiros eram mais nobres, enquanto os dianteiros ficavam associados a preparos demorados.
Hoje, essa separação já não explica tudo. O avanço da pecuária, a melhora no manejo, a seleção de raças e o trabalho de açougueiros especializados mudaram a forma como vários cortes chegam à mesa.
Peças como shoulder, raquete, peixinho e acém bem trabalhado passaram a ser vistas de outro jeito. Em vez de carne inferior, elas ganharam status de opção inteligente para quem quer variar sem gastar tanto.
O preparo mudou tudo
Parte dessa virada está na técnica. Um corte pode parecer duro quando é preparado do jeito errado, mas surpreender quando a fibra, a espessura e o ponto da carne são respeitados.
No caso do shoulder, por exemplo, a peça vem da paleta bovina e pode funcionar muito bem na grelha. Porém, o corte precisa considerar a membrana central, que interfere na mastigação quando não recebe atenção.
Também pesa o ponto da carne. Preparos malpassados, ao ponto para menos ou ao ponto ajudam a preservar a suculência de cortes mais delicados. Já o excesso de fogo pode ressecar a peça e reforçar a impressão de que ela é dura.
Açougues e churrascarias puxaram a tendência
A mudança também veio de fora de casa. Churrascarias, boutiques de carne e casas especializadas começaram a apresentar cortes menos óbvios ao público, muitas vezes com nomes novos e aparência mais valorizada.
Com isso, carnes antes ignoradas ganharam vitrine. O consumidor passou a pedir cortes que não conhecia, comparar preços e entender que nem toda boa experiência na grelha precisa começar pela picanha.
Essa nova relação também ajuda a aproveitar melhor o boi. Quando mais partes são valorizadas, o churrasco fica mais diverso, o açougue amplia as opções e o consumidor encontra alternativas com bom custo-benefício.
Casas especializadas e churrascarias ajudaram a apresentar ao público carnes que antes quase não apareciam como estrelas da grelha (Foto: Pexels)





