‘Catnomics’: obsessão por gatos no Japão virou potência de R$ 90 bilhões

Fenômeno deve movimentar cerca de 3 trilhões de ienes (aproximadamente R$ 90 bilhões) na economia do país em 2026

Gato deitado olhando para a câmera

Os gatos dominaram os lares no Japão, superando as crianças e os cães/Анастасия Грачева/Pexels

No Japão, os felinos deixaram de ser apenas animais de estimação para se transformarem em um pilar econômico fundamental.

O fenômeno, apelidado de “catnomics”, deve movimentar cerca de 3 trilhões de ienes (aproximadamente R$ 90 bilhões) na economia do país em 2026.

O impacto é tão vasto que já se compara ao efeito gerado por grandes eventos internacionais, como a Exposição Mundial de 2025 em Osaka.

Gatos no Japão superam amor sobre cães e crianças

Pela décima vez consecutiva, os gatos consolidaram sua posição como o animal de estimação favorito dos japoneses. Em 2025, o país registrou 8,8 milhões de gatos domésticos, superando significativamente os 6,8 milhões de cães.

Mais surpreendente ainda é o reflexo demográfico: o número combinado de cães e gatos no Japão já supera o total de crianças com menos de 15 anos.

Este cenário é impulsionado tanto pela paixão cultural pelos animais quanto pelo acelerado declínio populacional e envelhecimento dos lares japoneses.

Onde o dinheiro circula: do café à literatura

O cálculo do “catnomics”, realizado pelo professor Katsuhiro Miyamoto, da Universidade de Kansai, abrange uma cadeia produtiva diversa, chegando ao consumo direto, com ração, acessórios, consultas veterinárias e serviços de creche.

O turismo é outro ponto forte desta febre. Bairros como Yanaka Ginza, em Tóquio, atraem visitantes do mundo todo com lojas temáticas e produtos em formato de gato.

Por fim, a literatura japonesa, de Natsume Sōseki a Haruki Murakami, explora a figura do felino há séculos. Atualmente, editoras utilizam gatos em capas de livros, mesmo sem relação direta com o tema, visando apenas o aumento nas vendas.

Estima-se que o tutor japonês gaste, em média, 1,8 milhão de ienes (cerca de R$ 56 mil) ao longo da vida do animal.

Raízes históricas e influência política

A conexão do Japão com os gatos remonta ao período Nara (710-794), quando foram trazidos da China para proteger manuscritos budistas de roedores.

Esta origem sagrada evoluiu para símbolos de sorte, como o famoso maneki neko (o gato com a pata levantada), que permanece como um dos souvenirs mais vendidos do país.

Hoje, a “febre” atinge as esferas mais altas da sociedade. Entre os tutores declarados estão o próprio imperador e a imperatriz, além da primeira-ministra Sanae Takaichi.

O desafio do futuro

Apesar do crescimento vigoroso, a indústria enfrenta um limite estrutural: a demografia. Com a queda contínua no número de habitantes e o fechamento de lares, a demanda por produtos e serviços para pets pode encontrar um teto.

Em 2025, o Japão atingiu uma nova mínima histórica de nascimentos, sinalizando que o mercado de gatos, assim como o restante da economia local, precisará se adaptar a uma população cada vez menor.