A suspensão temporária da vacinação contra a dengue no Brasil foi motivada, entre outros fatores, pela investigação de três casos considerados graves registrados após a aplicação da vacina Butantan-DV, incluindo dois óbitos. A informação foi divulgada pelo Governo de São Paulo nesta segunda-feira (8/6), após a decisão do Ministério da Saúde de interromper preventivamente a imunização em todo o País.
Segundo as autoridades sanitárias, ainda não há comprovação de que os casos tenham sido causados pelo imunizante. A medida segue o princípio da precaução e permanecerá em vigor enquanto especialistas analisam os registros e os dados de segurança da vacina.
Até o momento, cerca de 500 mil doses da Butantan-DV foram aplicadas no Brasil.
Casos graves motivaram revisão da estratégia de vacinação
De acordo com o Governo de São Paulo, três ocorrências com sinais de gravidade foram identificadas durante o monitoramento da campanha de vacinação. Entre elas, estão dois óbitos que passaram a ser analisados pelas equipes de farmacovigilância.
A investigação é conduzida pelo Ministério da Saúde, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e por especialistas responsáveis pelo acompanhamento da segurança dos imunizantes.
As autoridades reforçam que, até agora, não foi estabelecida uma relação direta entre os eventos registrados e a vacina contra a dengue.
Por esse motivo, a suspensão foi classificada como preventiva e temporária, seguindo protocolos internacionais de segurança adotados em campanhas de imunização.
Vacina do Butantan apresentou alta eficácia em estudos
Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a Butantan-DV é a primeira vacina de dose única contra a dengue do mundo. O imunizante começou a ser aplicado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) neste ano e é indicado para pessoas entre 12 e 59 anos.
Segundo o Governo de São Paulo, acompanhamentos realizados em campanhas de vacinação em larga escala nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) não identificaram eventos adversos graves relevantes associados ao imunizante.
O Instituto Butantan informou que segue colaborando com as investigações, fornecendo dados técnicos e acompanhando as análises realizadas pelos órgãos reguladores.
A expectativa é que novas orientações sobre a continuidade da vacinação sejam divulgadas após a conclusão das investigações e da reavaliação da estratégia vacinal.
