Acordo de R$ 6,6 bilhões para salvar o BRB chega à Câmara do DF

Governadora Celina Leão envia projeto em regime de urgência para convalidar no Legislativo distrital o plano de socorro financeiro pactuado no Supremo Tribunal Federal.

Pressionado por perdas, BRB avança com plano de fechar agências e reduzir despesas

Governo do Distrito Federal envia projeto de lei para obter autorização do parlamento sobre o cronograma de devolução de ativos financeiros pactuado judicialmente

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), assumiu a linha de frente da articulação política para aprovar, em regime de urgência, o projeto de lei que formaliza o plano de saneamento financeiro do Banco de Brasília (BRB).

A proposta, protocolada na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), busca dar o aval parlamentar ao robusto termo de conciliation de R$ 6,6 bilhões costurado junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a chefe do Executivo local, a medida cumpre estritamente as exigências do mercado e as normas da Lei Orgânica do Distrito Federal, estabelecendo um cronograma rigoroso de devolução integral dos ativos ao longo de uma década e meia. A medida envolve o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e outras instituições financeiras parceiras.

 Dario Durigan atual ministro da fazenda tinha negado solicitação que visava que o governo federal assumisse os passivos acumulados

A estratégia do Palácio do Buriti para aprovação rápida

O Palácio do Buriti desenhou uma estratégia de blindagem jurídica com o intuito de afastar qualquer questionamento futuro sobre a legalidade dos repasses estruturados na corte superior. Em declarações à imprensa, a governadora minimizou o risco de resistência parlamentar e sinalizou que o Palácio mantém um diálogo aberto e pacificado até mesmo com os blocos que integram a oposição na CLDF.

Celina Leão argumentou que o texto enviado aos distritais funciona como um espelho fiel do compromisso judicial homologado no STF, garantindo legitimidade institucional e transparência ao processo de restituição patrimonial que servirá para equalizar as operações da instituição financeira regional.

“É simplesmente pegar aquilo que foi acordado no STF e levar para a CLDF para ter o aval dos deputados. É uma coisa muito simples. Está lá escrito: é aquilo que foi pactuado no Supremo, do acordo, que vai ser votado na Câmara, dando legitimidade para o cumprimento do que fala a Lei Orgânica“, pontuou a governadora.

Ela pontuou que o documento assinado e comprovado traz de forma expressa a garantia do retorno dos aportes financeiros, tornando a votação em plenário um rito de confirmação de compromissos já estabelecidos.

É bom lembrar que o acordo, assinado e comprovado, tem o pedido da restituição dos recursos“, afirmou Celina Leão.

O debate sobre as parcelas anuais no orçamento do DF

Contudo, nos bastidores da Câmara Distrital, o tema deve despertar debates profundos sobre as contrapartidas de médio e longo prazo que a capital federal terá de suportar para manter o fluxo de pagamento.

A engenharia financeira do plano prevê que as parcelas anuais, serão na casa dos milhões, exigirão uma condução política cirúrgica da base governista nas próximas semanas para evitar desgastes com a opinião pública.

O principal desafio do governo será demonstrar a capacidade de honrar os pagamentos acordados sem comprometer os investimentos prioritários nas regiões administrativas do Distrito Federal.