O Brasil conquistou espaço de destaque em um dos principais rankings internacionais de qualidade aeroportuária ao emplacar nove terminais entre os 20 melhores do planeta na avaliação da AirHelp.
O maior destaque ficou com o Aeroporto Internacional de Brasília, que alcançou a quinta colocação mundial graças ao desempenho em critérios como infraestrutura, experiência do passageiro e pontualidade.
O reconhecimento internacional, no entanto, convive com uma realidade menos positiva para quem embarca no país. Apesar da boa avaliação dos terminais, os atrasos continuam fazendo parte da rotina de muitos viajantes.
Somente no primeiro trimestre de 2026, cerca de 278,1 mil passageiros enfrentaram voos com mais de duas horas de atraso, número 22% superior ao registradono mesmo período do ano anterior. Os dados sobre os transtornos foram divulgados pela Lawtech, empresa especializada em direitos dos passageiros aéreos.
Brasília e Florianópolis colocam o Brasil em evidência
Além de Brasília, outros oito aeroportos brasileiros apareceram entre os mais bem avaliados do ranking da AirHelp, que leva em consideração indicadores como pontualidade, qualidade dos serviços e percepção dos usuários sobre a experiência nos terminais.
Outro destaque foi o Aeroporto Internacional de Florianópolis, apontado como referência em eficiência nas conexões. O terminal catarinense foi classificado como o melhor do mundo nesse quesito, superando grandes hubs internacionais de aviação.
O resultado chama atenção por posicionar aeroportos brasileiros à frente de estruturas localizadas em países tradicionalmente reconhecidos pela excelência no transporte aéreo.
Atrasos aumentam enquanto cancelamentos diminuem
Embora os terminais colecionem avaliações positivas, a pontualidade segue como um dos principais desafios do setor aéreo nacional.
Segundo o levantamento da Lawtech, os atrasos cresceram em 2026 ao mesmo tempo em que os cancelamentos recuaram cerca de 25%. O movimento indica uma mudança no padrão operacional das companhias. Menos voos deixam de acontecer, mas mais passageiros chegam ao destino com horas de atraso.
Passageiros podem buscar indenização
Dados da AirHelp apontam que aproximadamente 2,1 milhões de passageiros afetados por atrasos e cancelamentos registrados em novembro de 2025 podem ter direito a pleitear indenizações judiciais que podem chegar a R$ 10 mil, dependendo das circunstâncias de cada caso.
As situações mais recorrentes envolvem atrasos superiores a três horas sem a assistência obrigatória, cancelamentos comunicados pouco antes do embarque e episódios de overbooking, quando a companhia comercializa mais bilhetes do que a capacidade disponível na aeronave.
Além de indenizações por danos morais, consumidores também podem solicitar o ressarcimento de prejuízos materiais devidamente comprovados, como despesas extras com hospedagem, alimentação e transporte.
O que as companhias aéreas devem oferecer em caso de atraso
De acordo com a Resolução nº 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a assistência ao passageiro varia conforme o tempo de espera.
Após uma hora, a empresa deve disponibilizar meios de comunicação. Com duas horas, passa a ser obrigada a fornecer alimentação. Já a partir de quatro horas de atraso, o consumidor tem direito a hospedagem, transporte e alternativas como reacomodação em outro voo ou reembolso integral da passagem.
Aeroportos elogiados, operações ainda sob pressão
Os números mostram que bons terminais não significam, necessariamente, viagens mais pontuais.
Enquanto a qualidade aeroportuária depende de fatores como infraestrutura, conforto e serviços oferecidos, a regularidade dos voos está relacionada à gestão das companhias, disponibilidade de aeronaves, condições climáticas e organização da malha aérea.
Para quem viaja, o resultado revela um contraste cada vez mais evidente. O Brasil recebe reconhecimento internacional pela qualidade de seus aeroportos, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir que os passageiros cheguem ao destino dentro do horário previsto.






