Representação parlamentar: e os animais?

Entenda por que a causa animal na política é fundamental para garantir proteção, políticas públicas e bem-estar aos animais

Animais merecem atenção e políticas públicas de segurança e proteção- (Foto: moshehar/Pixabay)

Animais merecem atenção e políticas públicas de segurança e proteção- (Foto: moshehar/Pixabay)

Como sabemos, a representação é uma parte essencial da política. É por meio dela que diferentes grupos sociais conseguem colocar suas demandas no debate público e pressionar para que políticas sejam criadas em seu favor.

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A discussão sobre cotas de gênero, por exemplo, parte justamente dessa lógica: garantir um número mínimo de candidaturas femininas para que as mulheres não sejam excluídas da disputa política e, consequentemente, para que suas pautas tenham mais chance de aparecer nas decisões do Estado.

Quando voltamos para a causa animal, porém, encontramos um problema evidente: animais não votam.

Eles não escolhem representantes, não organizam campanhas, não ocupam cadeiras no Legislativo e não conseguem reivindicar, por conta própria, aquilo de que precisam.

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A representação “espelhada”, ou descritiva, como chamaria a ciência política (aquela em que uma mulher pode representar mulheres, uma pessoa negra pode representar pessoas negras, uma pessoa pobre pode representar pessoas pobres) não acontece da mesma forma para seres que não têm voz política.

A não ser que um dia descubram um jeito de fazer os cachorros falarem, essa realidade permanecerá.

Entretanto, isso não significa que os animais não precisem da política. Pelo contrário: eles dependem dela em diversas frentes muito concretas.

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Quando falamos em políticas públicas para a causa animal, estamos falando de abrigo, castração, vacinação, atendimento veterinário, fiscalização contra maus-tratos e programas de adoção responsável.

Na prática, isso aparece em medidas como hospitais veterinários públicos, castramóveis, campanhas de vacinação, feiras de adoção, programas de acolhimento e até abrigos para pessoas em situação de rua que também aceitam seus animais.

Todas essas ações exigem estrutura, orçamento, servidores, planejamento e decisão política. Ou seja: elas não surgem do nada.

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Elas só existem porque, em algum momento, houve debate, pressão social e pessoas dispostas a defender que esse gasto público também era necessário.

Por isso, a única representação viável para os animais não é a descritiva, mas a substantiva. Se trata de garantir que existam representantes capazes de defender seus interesses.

A causa animal precisa estar presente nos debates legislativos e administrativos para que seus temas sejam levados a sério.

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E isso só acontece quando há políticos que abraçam essa pauta e cidadãos que cobram essa responsabilidade.

A partir do instante em que os cidadãos adotam essa causa e usam seu poder de voto para influenciar o comportamento dos políticos, os animais passam a ter mais proteção.

É assim que conseguimos transformar preocupação em política pública, indignação em lei e sensibilidade em orçamento.

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Quando alguém vota levando em conta a causa animal, está ajudando a decidir se haverá mais castração gratuita, mais atendimento veterinário acessível, mais abrigos preparados, mais campanhas educativas e mais fiscalização contra o abandono e os maus-tratos.

Por isso, é importante entendermos que o voto não pode ser tratado como algo casual.

Quando votamos, estamos escolhendo quais interesses serão defendidos e, em última instância, para quem serão destinadas as políticas públicas e o orçamento do Estado.

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Se você se alinha a alguma causa, precisa observar quem está disposto a levá-la para dentro do debate público.

No caso dos animais, que não podem falar por si mesmos, essa responsabilidade é ainda maior: cabe a nós garantir que eles também sejam lembrados pela política.