A ativista Taty Almeida, uma das principais lideranças das Mães da Praça de Maio – Linha Fundadora e referência histórica na defesa dos direitos humanos na Argentina, morreu no domingo (14/5), aos 95 anos, em Buenos Aires.
Reconhecida internacionalmente pela luta em defesa da memória, da verdade e da justiça, ela dedicou mais de quatro décadas à busca por respostas sobre os desaparecidos durante a ditadura militar argentina.
A morte foi confirmada pela organização que ela presidia. Com o tradicional lenço branco, símbolo das Mães da Praça de Maio, Taty tornou-se uma presença constante em manifestações, atos públicos e mobilizações sociais, apoiando não apenas a causa dos desaparecidos políticos, mas também movimentos sindicais, estudantis e pautas ligadas aos direitos humanos.
Em nota, a entidade prestou homenagem à ativista: “Obrigada por nos ensinar que amar é resistir, que a única luta que se perde é a que se abandona e que não existe força maior do que a do amor.”
Nascida como Lidia Stella Mercedes Miy Uranga, em 28 de junho de 1930, Taty era professora e mãe de três filhos. Sua trajetória mudou drasticamente em 1975, após o desaparecimento de seu filho Alejandro Almeida, então com 20 anos. Integrante do grupo guerrilheiro Exército Revolucionário do Povo (ERP) e estudante de medicina, ele foi sequestrado pela Triple A (Aliança Anticomunista Argentina), um esquadrão da morte que atuava antes mesmo da instalação da ditadura militar, iniciada em 1976. Alejandro nunca foi encontrado.
A partir dessa tragédia pessoal, Taty transformou a dor em militância. Embora tenha demorado alguns anos para integrar oficialmente as Mães da Praça de Maio, tornou-se uma das vozes mais influentes do movimento. Em uma entrevista concedida em 2017, resumiu sua postura diante da perda do filho: “Essa raiva, nós a transformamos em amor, em luta pacífica.”
Nos últimos anos, a ativista manteve uma posição crítica em relação ao governo do presidente Javier Milei, especialmente sobre as políticas relacionadas à preservação da memória histórica, à busca por desaparecidos e à responsabilização pelos crimes cometidos durante a ditadura. Taty Almeida também participou ativamente das mobilizações que marcaram os 50 anos do golpe militar argentino.
Internada há cerca de três semanas em um hospital de Buenos Aires, ela deixa um legado de resistência que atravessou gerações e ajudou a consolidar a luta pelos direitos humanos como uma das principais bandeiras da sociedade argentina.
