Geovana Quadros revela o impacto global do ‘Mulheres Inspiradoras’

Geovana Quadros consolidou plataforma para mulher que transcende networking tradicional para se tornar uma força política e social

Geovana Quadros durante entrevista à TV GMG, da Gazeta de S.Paulo/Yuri Villaça/Gazeta de S.Paulo

Em um cenário corporativo no qual o topo da pirâmide ainda é predominantemente masculino, Geovana Quadros, fundadora do movimento Mulheres Inspiradoras, consolidou uma plataforma que transcende o networking tradicional para se tornar uma força política e social no Brasil e no exterior. Criada em 2015, a iniciativa nasceu da sua percepção sobre a solidão das mulheres em cargos executivos e hoje reúne 3 mil lideranças.

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“Quanto mais eu crescia profissionalmente, menos mulheres eu via nessas discussões. Ia ficando cada vez mais sozinha”, afirmou a executiva, em entrevista à TV GMG, da Gazeta.

O movimento começou com a reunião de histórias de lideranças femininas em um livro, mas logo evoluiu para uma comunidade multissetorial. Segundo ela, a intenção principal é “fomentar as lideranças femininas para que elas não só permaneçam no topo, porque é difícil nos tempos atuais, mas tragam mais mulheres para essa posição”.

Geovana destacou que, embora existam movimentos de base e empreendedorismo, reunir a alta liderança de forma coordenada foi um passo histórico. “Para movimentar qualquer coisa, precisamos das mulheres que estão no topo podendo fazer por mais mulheres que ainda não chegaram lá”.

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De Davos à ONU: a conquista de espaços internacionais

O “Mulheres Inspiradoras” não se limitou às fronteiras brasileiras. Com passagens por Davos (Fórum Econômico Mundial), Nova York (Nasdaq e ONU Mulheres) e discussões no Brics em Nova Déli, o grupo se tornou o primeiro movimento organizado de mulheres latino-americanas a ocupar esses espaços de decisão econômica.

“Muitos dos eventos havia só homens na sala, e chegávamos com 15, 20 mulheres”, lembrou.

Ela destacou que a representatividade precisa ser intencional para combater estruturas onde, até pouco tempo atrás, premiações de liderança eram nomeadas exclusivamente no masculino, como o “Man of the Year”.

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Pautas sociais e mudanças legislativas

Além do foco corporativo, o movimento atua em frentes críticas como o combate à violência de gênero e a desigualdade na licença parentalidade. Geovana é embaixadora da Coalizão Licença Paternidade (CoPai), que luta pela equiparação da licença entre pais e mães para reduzir o “gap de gênero” no mercado de trabalho. “Se há políticas públicas e privadas mais corretas pautadas para mulheres, evitará situações de não encaixe dessa mulher [que acabou de ter filho]”.

Sobre a segurança feminina, o seu tom é urgente. “Primeiro, devemos viver sem sermos mortas por sermos mulheres. Ter o direito à vida, que não vemos hoje”. Ela defendeu que mudanças culturais levam tempo e, por isso, a legislação é fundamental;

O futuro com as ‘Meninas Inspiradoras’

Atualmente, o hub conta com mais de 3.000 mulheres e parcerias com o Ministério das Mulheres e grandes corporações. Um dos braços mais promissores é o Meninas Inspiradoras, que fomenta o impacto social em jovens cientistas e empreendedoras.

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Geovana completou a entrevista à Gazeta reforçando que a ascensão feminina beneficia toda a estrutura social. “Sempre que você tem uma mulher prosperando, ela prospera toda uma sociedade também”. Para ela, a articulação estratégica de bastidores é o diferencial que o movimento oferece para que as mulheres não apenas cheguem ao topo, mas o transformem.