Waze, drones e IA: a megaoperação de R$ 400 milhões contra queimadas em SP

Operação SP Sem Fogo 2026 pretende enfrentar o risco de incêndios florestais e queimadas durante a estiagem período de menos chuva no Estado

Queimadas em São Paulo

Incêndio em área de vegetação no interior de São Paulo/Joedson Alves/Agência Brasil

O Governo de São Paulo lançou neste mês a fase vermelha da Operação SP Sem Fogo 2026. A medida pretende enfrentar o risco de incêndios florestais e queimadas durante a estiagem – isso é, o período de menos chuva. O pacote inclui uso de inteligência artifical, drones e parceria com Waze.

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No anúncio, a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse que a situação neste ano pode ser agravada pela atuação do fenômeno El Niño. Por isso, decidiu investir R$ 400 milhões em ações preventivas.

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Marcas das queimadas em São Paulo em 2024

A preocupação não é em vão. No inverno de 2024, o território paulista atingiu o maior número de incêndios de toda a série histórica de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), iniciada em 1998. 

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Durante os dias 22 e 23 de agosto de 2024 foram registrados 2,3 mil focos de incêndio no Estado. O valor equivale a mais de sete vezes o total observado durante todo o mês de agosto de 2023. A fumaça se juntou com a das queimadas recordes que atingiram a Amazônia e o Pantanal. Centenas de municípios foram obrigados a cancelarem as aulas.

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O governo estadual instalou à época um Gabinete de Crise Emergencial para tratar sobre as queimadas em São Paulo. Para se ter uma ideia da dimensão, apenas na região do Vale do Paraíba, uma área equivalente a 372 campos de futebol foi tomada por chamas.

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A influência de uma onda de calor, o longo período sem chuvas, em função da estação seca, e o aumento dos ventos, em consequência da aproximação de uma frente fria, criaram condições para a propagação dos focos de fogo.

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Como o governo se prepara agora

Para o inverno de 2026, a gestão estadual anunciou reforço tecnológico para monitoramento, ampliação da capacidade operacional dos municípios, proteção das unidades de conservação e manutenção preventiva da malha rodoviária.

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A operação reúne ações coordenadas da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar Ambiental, da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e de suas vinculadas: Fundação Florestal, DER-SP e Cetesb.

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“Nós aprendemos muito com os desafios enfrentados nos últimos anos. O objetivo é apoiar os municípios para reduzir os impactos dos incêndios para a população e o meio ambiente”, afirmou o governador, em nota.

Novo painel para queimadas em São Paulo

Entre as principais novidades da Operação SP Sem Fogo 2026 está o novo Painel de Inteligência SP Sem Fogo, plataforma desenvolvida pela Defesa Civil para integrar dados meteorológicos, registros de ocorrências, mapas de risco e sistemas de monitoramento em tempo real. 

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O governo estadual também pretende entregar 100 novos caminhões pipa até o fim da operação, com 20 unidades já distribuídas até a publicação deste texto. Esses veículos também auxiliarão as cidades com dificuldades de abastecimento. 

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Com apoio de inteligência artificial, a ferramenta permite priorizar automaticamente os focos mais críticos, identificar áreas de maior risco e acelerar o acionamento dos recursos necessários para resposta.

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Outra ação inédita é a implantação da Muralha do Fogo, sistema que integra câmeras do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), concessionárias de rodovias, Muralha Paulista e outros sistemas de monitoramento para acompanhamento em tempo real das queimadas em São Paulo.

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“Estamos fortalecendo o monitoramento, ampliando a capacidade de resposta dos municípios e investindo na proteção das nossas unidades de conservação, da infraestrutura e da população para enfrentar um cenário climático cada vez mais desafiador”, disse Natália Resende, secretária da Semil.

O Estado também passa a contar com monitoramento por satélite por meio do Sistema de Monitoramento e Alerta Climático (SMAC), capaz de identificar focos de incêndio ainda em estágio inicial.

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Além disso, uma parceria inédita com o aplicativo Waze permitirá que motoristas informem focos de incêndio diretamente na plataforma, com a ideia de aumentar a capacidade de detecção precoce e permitir uma resposta mais rápida.

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O número de municípios que aderiram ao Plano de Contingência para Estiagem chegou a 613 cidades, um crescimento de 56% em comparação com 2025, quando 393 municípios haviam formalizado adesão.

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Pela primeira vez, produtores rurais de assentamentos também passaram a integrar os treinamentos da Operação SP Sem Fogo.

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Fiscalização com drones

Durante a fase vermelha, cerca de 50 agentes da Diretoria de Proteção e Fiscalização Ambiental (DPFA) da Semil participarão das operações de fiscalização e monitoramento em campo para possíveis queimadas em São Paulo, utilizando veículos oficiais, drones, comunicação integrada e mapeamento de áreas de risco. 

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A Semil também dará continuidade ao monitoramento das chamadas “cicatrizes do fogo”, levantamento realizado por imagens de satélite para identificar áreas efetivamente atingidas por incêndios florestais e dimensionar os danos ambientais. 

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O cruzamento de dados antes e depois dos focos de calor permitiria subsidiar ações de responsabilização ambiental e recuperação de áreas degradadas.