A decisão da Justiça de São Paulo que aceitou a denúncia do Ministério Público aponta que o conteúdo extraído de dois celulares é a principal prova da investigação sobre lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O material foi descrito pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, como a “prova nuclear” do caso.
Segundo a decisão, os aparelhos continham mensagens, áudios, comprovantes de depósitos e registros bancários capazes de ajudar os investigadores a reconstruir a movimentação financeira do grupo investigado.
Além de Deolane, também se tornaram réus o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, familiares do criminoso e outros investigados apontados pelo Ministério Público.
A influenciadora está presa preventivamente desde 21 de maio na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.
Áudios e mensagens chamaram atenção dos investigadores
Um dos aparelhos analisados foi um Samsung Galaxy J5 apreendido na residência do empresário Ciro Cesar Lemos.
De acordo com as investigações, ele seria responsável por realizar repasses financeiros ligados ao esquema investigado.
No aparelho, a Polícia encontrou conversas mantidas pelo Telegram entre agosto de 2020 e abril de 2021. Entre os arquivos recuperados estão mensagens de áudio consideradas importantes para a acusação.
Em uma delas, Ciro afirma ter trabalhado durante quatro anos para Alejandro Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola, conhecido como “Gordão” nas conversas.
Os investigadores também localizaram comprovantes bancários e registros de movimentações financeiras.
Segundo o Ministério Público, esses documentos ajudam a identificar a origem dos valores, os intermediários e os beneficiários dos repasses.
Mensagens citam movimentação de dinheiro
A investigação também faz referência a áudios enviados a uma diarista. Conforme a denúncia, as mensagens indicariam que Deolane mantinha valores ligados à facção em imóveis associados a ela e aos seus filhos.
A decisão judicial não detalha integralmente o conteúdo das gravações.
Mesmo assim, o material foi considerado relevante para sustentar as acusações apresentadas pelo Gaeco.
Conversas envolvem sobrinha de Marcola
Em um segundo aparelho, um iPhone X, os investigadores encontraram conversas com Paloma Sanches Herbas Camacho. Ela é sobrinha de Marcola e também figura entre os denunciados pelo Ministério Público.
As mensagens mostram o compartilhamento de contas bancárias e o envio de comprovantes de transferências.
Para os promotores, o conteúdo reforça a suspeita de que familiares e pessoas próximas aos líderes do PCC participavam da distribuição dos recursos investigados.
Denúncia foi aceita pela Justiça
As informações encontradas nos celulares foram cruzadas com relatórios do Coaf, quebras de sigilo bancário e análises fiscais.
O conjunto de elementos serviu de base para a denúncia apresentada pelo Ministério Público.
Com a decisão da Justiça, os investigados passam oficialmente à condição de réus. Isso não significa condenação, mas marca o início da ação penal.
A partir de agora, o processo segue para as fases de produção de provas, oitivas e apresentação das defesas.
A defesa de Deolane nega qualquer ligação da influenciadora com o PCC e afirma que ela não praticou os crimes apontados pela acusação.
