A aprovação da Lei do Ecoturismo e a criação do Sistema Nacional de Trilhas em junho de 2026 mudaram as regras para as viagens de natureza no Brasil. O avanço dessas novas legislações federais estruturou roteiros oficiais e abriu o radar de investimentos para o setor.
A estratégia do Congresso Nacional e do governo federal foca em interligar unidades de conservação. O ponto de partida foi a Lei 15.180, sancionada em julho de 2025, que serve como marco legal para a visitação sustentável em 3.185 áreas protegidas.
A legislação autoriza o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a estruturar os parques e cria um fundo financeiro exclusivo para melhorias. Com a nova estrutura, a busca por roteiros de ecoturismo e contato com a vida silvestre cresceu no país.
Atrativos naturais e novas opções de viagem
Os novos circuitos federais aprovados entre 2025 e 2026 vão muito além da burocracia e guardam cenários curiosos:
- Rota do Capim Dourado (Lei 15.274): localizada no Tocantins, passa pelos famosos fervedouros, poços de água onde é impossível afundar devido à pressão do solo.
- Rota das Serras Gerais (Lei 15.275): também em território tocantinense, abriga o Rio Azuis, considerado o menor rio da América Latina com apenas 147 metros de extensão.
- Rota do Enxaimel (Lei 15.361): situada em Santa Catarina, une caminhadas ecológicas à maior concentração de casas históricas desse estilo fora da Europa.
Para o turista paulista que planeja viajar sem sair do estado, existem destinos no interior de São Paulo com hospedagens que cabem no bolso e que oferecem cachoeiras e trilhas integradas à Mata Atlântica, impulsionando o turismo de proximidade.
Sintrilhas e critérios para municípios
Em junho de 2026, o Decreto nº 13.015 instituiu o Sistema Nacional de Trilhas (Sintrilhas). Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), pelo Ministério do Turismo (MTur) e pelo ICMBio, o projeto prevê uma rede integrada de 41 mil quilômetros.
Os 205 caminhos planejados, sinalizados com pegadas amarelas e pretas, dão suporte ao aumento de público nas unidades de conservação, que registraram 28,5 milhões de visitas. Mas para receber verbas, as prefeituras precisam cumprir a Nova Lei Geral do Turismo (Lei 14.978).
Os critérios federais exigem:
- Secretaria ou departamento de turismo em atividade;
- Orçamento próprio aprovado por lei;
- Conselho Municipal de Turismo ativo;
- Prestadores de serviços locais inscritos no Cadastur.
As cidades participantes são divididas entre municípios principais, de oferta complementar ou de apoio.
Fiscalização e tecnologia nas trilhas
O Ministério do Turismo monitora o retorno financeiro e o impacto ecológico dos roteiros com ferramentas digitais. Cidades dos novos circuitos usam o Voucher Digital, sistema com pulseiras de identificação para controlar o fluxo de visitantes em áreas sensíveis.
Outro recurso técnico em expansão é o uso de transmissores de curto alcance, os beacons, nas trilhas. Os aparelhos enviam dados aos celulares dos viajantes via Bluetooth e registram o tempo de permanência e a frequência de passagem de pessoas.
Esses dados alimentam o Mapa do Turismo Brasileiro e servem para fins estatísticos e de preservação. O monitoramento previne o desgaste ambiental nas áreas de mata e ajuda a medir a real geração de postos de trabalho em cada polo regional.






