Defesa Civil aponta uso de contas do Pará em alerta falso de ‘misantropia’ enviado a milhões de celulares

Sistema nacional foi hackeado usando credenciais de agentes do Pará e disparou mensagens de emergência extrema para diversos estados

Brasileiros receberam mensagem de alerta da Defesa Civil com mensagem 'misantropia'

Brasileiros receberam mensagem de alerta da Defesa Civil com mensagem 'misantropia' / Arquivo pessoal

As credenciais de acesso de dois agentes da Defesa Civil do Pará foram utilizadas para o envio dos alertas falsos que assustaram moradores de diversas regiões do País entre a noite de sexta-feira (19/6) e a madrugada de sábado (20/6).

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A informação consta em documentos encaminhados pelo governo federal à Polícia Federal, que investiga o caso.

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As mensagens continham termos como “misantropia”, “misantropo” e até referências a um suposto “ataque alienígena”, sem qualquer relação com situações reais de risco.

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Os alertas chegaram a celulares em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Rio Branco, além de municípios de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal.

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Segundo a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, o caso apresenta indícios de invasão do sistema utilizado para o envio dos alertas, o que reforça a hipótese de ataque hacker.

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Credenciais eram autorizadas apenas para o Pará

De acordo com o governo federal, um dos fatores que mais chamaram a atenção dos investigadores foi o fato de os disparos terem sido feitos com contas autorizadas apenas para o estado do Pará.

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Nos documentos enviados à Polícia Federal, a Defesa Civil afirma que os alertas foram direcionados a diversas regiões do país usando credenciais que não possuíam autorização para atuar fora do território paraense.

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Para o órgão, isso indica não apenas o possível uso indevido das contas, mas também uma falha ou invasão que permitiu burlar as restrições geográficas do sistema.

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Alertas chegaram a capitais e estados

O primeiro alerta falso foi enviado às 23h41 de sexta-feira para o estado do Rio de Janeiro com a mensagem:

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“misantropo ADRESS RJ burros dms pprt”.

Quatro minutos depois, moradores de Curitiba receberam um novo alerta contendo apenas a palavra “misantropia”.

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Já entre 1h20 e 1h23 da madrugada, outros oito disparos foram registrados para diferentes localidades, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Rio Branco, Belo Horizonte, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

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A maioria das mensagens trazia a palavra “misantropi4” e foi enviada por meio do sistema Defesa Civil Alerta, que utiliza a tecnologia Cell Broadcast para exibir notificações emergenciais diretamente na tela dos celulares.

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Mensagem citou até “ataque alienígena”

Entre os alertas enviados, um dos que mais chamou atenção foi o disparado para Belo Horizonte por SMS.

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A mensagem dizia:

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“Defesa Civil: ATAQUEALIENIGENA, HUMANOSCHEGAMOS misantropo”.

Segundo a Defesa Civil, todas as mensagens foram classificadas no sistema como alertas de nível extremo, categoria usada apenas em situações de risco grave que exigem ação imediata da população.

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Os alertas também foram associados indevidamente a ocorrências como alagamentos, deslizamentos e tornados.

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Governo acionou a Polícia Federal

Após identificar os disparos irregulares, a Defesa Civil Nacional retirou a plataforma do ar por volta de 1h30 da madrugada de sábado.

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O órgão informou que acionou a Polícia Federal e abriu um procedimento de investigação para apurar a invasão.

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Em nota enviada aos investigadores, a pasta destacou que as mensagens não possuíam qualquer conteúdo técnico ou compatível com os protocolos oficiais de proteção e defesa civil.

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“As mensagens registradas não apresentam conteúdo técnico, institucional ou compatível com os protocolos de Proteção e Defesa Civil”, informou o órgão.

Sistema segue sob análise

O suposto ataque atingiu a plataforma conhecida como Integração de Dados de Alerta à População (Idap), responsável pelo envio das notificações emergenciais.

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A Defesa Civil também acionou o Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos do Governo Federal (CTIR Gov) para auxiliar na apuração.

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Segundo o governo, o sistema só deverá voltar a operar normalmente após a conclusão das verificações de segurança e da adoção de medidas para evitar novos disparos indevidos.