Um barquinho e um sonho. Foi assim que o britânico, Andrew Bedwell, de 52 anos, tentou atravessar o oceano a bordo do Big C V2. Mas em apenas 2 dias, a sua missão foi por água abaixo.
Fabricado em fibra de vidro e medindo apenas 1,19 metro de comprimento, o barco foi projetado pelo próprio britânico para resistir às tempestades do Atlântico Norte.
Porém, após notar que o interior do minúsculo habitáculo estava inundando rapidamente, Bedwell acionou o suporte e foi rebocado de volta.
Apesar do susto e do fim precoce da missão que vinha sendo desenhada há mais de três anos, o aventureiro garantiu que o mais importante foi sair da experiência com vida.
O começo da jornada de Bedwell
A jornada de Bedwell começou em St. John’s, no Canadá, com o objetivo de chegar à costa da Inglaterra.
O percurso planejado era de aproximadamente 3.500 quilômetros através de algumas das águas mais perigosas e movimentadas do planeta.
O aventureiro pretendia passar entre 60 e 90 dias no mar, sem nenhum apoio externo.
Para ele, a vida é sobre preencher o “traço” entre o nascimento e a morte com o máximo de aventuras possível.
Por Que “Big C”?
O nome da embarcação, Big C, possui um significado profundo e doloroso. Em inglês, a expressão é uma gíria para o câncer, doença que vitimou o pai, a mãe e o amigo de Andrew que desenhou o casco original.
Além do desafio físico, a expedição visava arrecadar fundos para a Cancer Research UK.
Andrew transformou sua dor em uma homenagem emocionante, navegando em memória daqueles que partiram devido à doença.
Engenharia em Miniatura
A embarcação é considerada uma obra-prima da engenharia de sobrevivência. Confira as principais características do microveleiro:
- Material: Construído em alumínio, substituindo a fibra de vidro da versão anterior.
- Estabilidade: Possui uma quilha de chumbo de 115 kg para manter o barco vertical.
- Segurança: Equipado com compartimentos estanques e uma cúpula de policarbonato vedada.
- Energia: Alimentado por painéis solares e baterias de lítio.
Como era sobreviver dentro do “Big C”
Sobreviver em um barco de 1 metro exige privações extremas. Andrew, que mede cerca de 1,80m, não conseguia ficar em pé ou deitar-se completamente dentro da cabine.
Sua alimentação consistia em barras energéticas feitas de carne seca, passas e gordura. Para economizar espaço, as embalagens a vácuo foram moldadas diretamente na estrutura interna do barco.
O sono era feito em rajadas curtas, em uma posição semi-ereta, enquanto a água potável dependia de um dessalinizador manual. Como ele mesmo descreveu, era como passar meses em uma montanha-russa dentro de uma lixeira.
O Recorde que atravessa décadas
Andrew buscava superar a marca de Hugo Vihlen, um marinheiro americano que, em 1993, cruzou o Atlântico em um barco de 1,62 metro chamado Father’s Day.
Vihlen levou 105 dias para completar a travessia, enfrentando tempestades e a escassez de espaço que quase o impediu de caminhar ao chegar em terra firme.
Desde então, diversos aventureiros falharam ao tentar quebrar esse recorde mundial.
O fim abrupto e o resgate no mar
Infelizmente, a tentativa de Bedwell terminou apenas dois dias após a partida. A cerca de 120 quilômetros da costa canadense, ele enfrentou um “problema técnico fortuito” que colocou sua vida em risco.
A Guarda Costeira Canadense resgatou o navegador com sucesso através do navio Sacred Bay.
No entanto, seguindo os protocolos de salvamento, a pequena embarcação Big C V2 teve que ser abandonada à deriva.
Andrew declarou que esta foi sua última tentativa de quebrar o recorde, citando o desgaste financeiro, físico e mental para sua família e patrocinadores.






