A primeira linha de metrô subaquática do Brasil — caso saia do papel — poderá reduzir uma viagem que hoje leva cerca de 75 minutos de carro para apenas 11 minutos.
O projeto prevê a criação de uma ligação entre Rio de Janeiro e Niterói, com extensão até Itaboraí, atravessando a Região Metropolitana e incluindo um trecho sob a Baía de Guanabara.
Essa redução no tempo de deslocamento corresponde ao trajeto entre o Aeroporto Santos Dumont, na capital fluminense, e o bairro de Icaraí, no município vizinho.
A proposta ainda está em fase de estudo e não tem prazo definido para execução, com previsão de até 30 meses para conclusão da etapa técnica.
Estudo prevê ligação de metrô subaquático no eixo Rio–Niterói–Itaboraí
A projeção integra o estudo Prisma (Planos de Transportes Urbanos Sustentáveis e de Desenvolvimento Integrado), apresentado no dia 1º de junho, no Rio de Janeiro.
O levantamento aponta a criação de uma linha de metrô subaquática com cerca de 50 quilômetros de extensão e 29 estações, conectando o Centro do Rio a Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
Ganhos de tempo em diferentes trajetos
Além do principal eixo entre Rio e Niterói, o estudo indica redução significativa em outros deslocamentos da região.
O trajeto entre Alcântara e o Centro de Niterói cairia de 55 para 37 minutos. Já a ligação entre Itaboraí e Alcântara passaria de 45 para 36 minutos.
Entre o Centro de São Gonçalo e o campus da UFF no Gragoatá, a viagem seria reduzida de 50 para 33 minutos.
Traçado atravessa três municípios
O traçado parte da estação Carioca, no Centro do Rio, e segue por Niterói, com paradas em pontos como UFF, Icaraí e Praça do Rink.
Em seguida, avança por São Gonçalo até chegar a Itaboraí, cruzando bairros como Alcântara, Neves, Zé Garoto, Antonina e Manilha. A operação prevê intervalos de até 90 segundos entre trens e velocidade de até 80 km/h.
Região concentra milhões de deslocamentos
A área atendida pelo projeto soma cerca de 3,3 milhões de deslocamentos diários. Entre Niterói e São Gonçalo, são aproximadamente 340 mil viagens por dia, segundo o estudo.
O levantamento também aponta predominância do transporte por ônibus e aumento do uso de motocicletas como alternativa diante dos longos tempos de deslocamento.
Prazo de 30 meses e custo de R$ 26 milhões
Solicitado pelo governo federal, o estudo foi lançado em junho de 2025 e tem prazo de 30 meses para conclusão, com custo estimado em R$ 26 milhões.
O objetivo é fornecer base técnica para decisões sobre traçado, viabilidade econômica e impactos sociais da futura ligação metroviária.
O desenvolvimento está a cargo de dois laboratórios da Coppe/UFRJ: a Rede de Estudos em Engenharia e Socioeconômicos de Transportes (Reset) e o Laboratório de Otimização e Sistemas de Informações Geográficas (OPTGIS).
