Os supermercados podem fechar mais cedo no Brasil ainda em 2026. Essa é a sugestão da Associação Catarinense de Supermercados (Acats) para se adequar à escala de trabalho 5×2 que está em discussão no Congresso Nacional.
A entidade apresentou na última semana uma proposta de redução no horário de atendimento ao público durante a semana e aos domingos. O projeto englobaria todo o País e não contaria com aumento de custos.
A apresentação do texto aconteceu durante uma reunião da associação, realizada no ExpoSuper. O plano, elaborado pelo vice-presidente da ACATS, José Koch, sugere mudar a operação do setor para 7h30 às 21h30 na semana e das 8h às 19h aos domingos. Os horários atuais, na maioria das lojas de atacarejo, são das 7h às 22h durante a semana e das 8h às 21h aos domingos.
Supermercados vão fechar mais cedo?
Segundo Koch, o segmento poderia atender à nova escala sem enfrentar maior custo pessoal. Ele ainda defende que a proposta foi bem aceita pelos empresários de Santa Catarina e que reduziria despesas. José Koch ainda destacou que o projeto é ideal para as lojas e redes de atacarejo terem equilíbrio frente à concorrência.
As projeções feitas pela entidade demonstram que, se o atendimento aos domingos for reduzido para o período das 8h às 19h, será possível para os funcionários trabalharem com um turno pessoal. Isso aconteceria porque os colaboradores não precisam começar às 8h, mas sim entrar gradativamente, ter intervalos de duas horas para alimentação e cumprir o expediente.
“Isso facilita porque um turno só será obrigatório com a nova lei. Então, isso resolve a questão da folga aos domingos, porque os trabalhadores poderão folgar dois domingos e trabalhar dois”, explica José Koch.
Por outro lado, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) informou que o setor aceita a inclusão da escala 5×2. Porém, a instituição exige a criação de um modelo de trabalho por hora no Brasil, seguindo um modelo similar ao adotado nos Estados Unidos e em alguns países da Europa.
Com a mudança da jornada 6×1 para 5×2, o número de horas semanais reduzirá de 44 horas para 40 horas semanais. O novo período, de acordo com levantamento da associação, aumentará o custo com a equipe, o que pode afetar os preços de produtos se não forem feitos outros ajustes.
Caso as novas determinações sejam aprovadas pelo Congresso Nacional e posteriormente adotadas, o projeto vai abranger parte da economia do país, não se concentrando apenas em supermercados.
Fim da escala 6×1 pode gerar prejuízo de R$ 1,2 bilhão
A possível redução da jornada de trabalho com o avanço do Projeto de Lei nº 1.838/2026, que prevê o fim da escala 6×1, pode gerar impactos bilionários para supermercados de São Paulo, especialmente no armazenamento de produtos refrigerados.
Um levantamento da NEO Estech aponta que as perdas anuais com falhas em sistemas de refrigeração podem chegar a R$ 1,2 bilhão no estado caso redes varejistas reduzam o horário de funcionamento sem ampliar o monitoramento técnico das operações.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que propõe o fim da jornada de trabalho no modelo 6×1. No fim do ano passado, uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), foi apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), para a mudança na carga horária de trabalho. A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados e está no Senado.
