A inteligência artificial costuma ser tratada como algo invisível, feito de algoritmos, servidores e comandos digitados em uma tela. Mas uma parte importante dessa engrenagem passa por um lugar bem menos óbvio: a indústria de temperos.
Conhecida mundialmente pelo glutamato monossódico, a Ajinomoto virou uma peça discreta, mas estratégica, na cadeia dos chips avançados. O motivo é um material chamado ABF, uma película isolante usada em semicondutores de alto desempenho.
Sem aparecer nas propagandas de big techs, esse filme ajuda a sustentar a fabricação de processadores usados em computadores, data centers e sistemas de inteligência artificial.
Da cozinha aos chips
A ligação parece improvável, mas ajuda a mostrar como a tecnologia moderna depende de setores que quase nunca aparecem nas manchetes. Antes de um sistema de inteligência artificial funcionar, existe uma longa cadeia de materiais, fábricas e componentes.
No caso da Ajinomoto, o protagonista é o ABF, sigla para Ajinomoto Build-up Film. Trata-se de uma película isolante usada em substratos de semicondutores de alto desempenho, como os encontrados em computadores potentes e data centers.
O que é o ABF
Dentro de um chip, milhares de conexões precisam funcionar em espaços cada vez menores. Por isso, os materiais usados na construção dessas peças devem separar camadas, evitar falhas elétricas e permitir mais desempenho.
É nesse ponto que o ABF entra. A película ajuda a organizar as conexões internas dos semicondutores e permite a fabricação de estruturas mais complexas, essenciais para processadores usados em aplicações pesadas.

Com a expansão da IA generativa, esse tipo de componente ficou ainda mais importante. Modelos avançados exigem chips potentes, e esses chips dependem de materiais capazes de suportar alta densidade de conexões.
O domínio silencioso
A força da Ajinomoto nessa área chama atenção porque o mercado é altamente concentrado. A empresa tem participação dominante no fornecimento desse filme isolante, o que torna o ABF uma peça sensível da cadeia global de tecnologia.
Na prática, isso significa que a corrida da inteligência artificial não depende apenas de gigantes conhecidas, como fabricantes de placas gráficas, big techs e empresas de nuvem. Ela também passa por fornecedores discretos, muitas vezes fora do radar do público.
Essa concentração pode criar gargalos. Se a demanda por chips cresce rápido demais, qualquer pressão sobre materiais essenciais pode afetar prazos, custos e capacidade de produção.






