Um tempero de cozinha foi uma peça-chave para o desenvolvimento da IA e ajuda na criação de chips até hoje

Conhecida pelo glutamato monossódico, a Ajinomoto virou fornecedora estratégica de um material usado em chips avançados

A corrida da inteligência artificial também depende de uma película quase invisível produzida por uma empresa famosa por temperos (Foto: Pexels)

A inteligência artificial costuma ser tratada como algo invisível, feito de algoritmos, servidores e comandos digitados em uma tela. Mas uma parte importante dessa engrenagem passa por um lugar bem menos óbvio: a indústria de temperos.

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Conhecida mundialmente pelo glutamato monossódico, a Ajinomoto virou uma peça discreta, mas estratégica, na cadeia dos chips avançados. O motivo é um material chamado ABF, uma película isolante usada em semicondutores de alto desempenho.

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Sem aparecer nas propagandas de big techs, esse filme ajuda a sustentar a fabricação de processadores usados em computadores, data centers e sistemas de inteligência artificial. 

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E é justamente essa conexão improvável entre cozinha e tecnologia que transformou a empresa japonesa em um nome decisivo nos bastidores da IA.

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Da cozinha aos chips

A ligação parece improvável, mas ajuda a mostrar como a tecnologia moderna depende de setores que quase nunca aparecem nas manchetes. Antes de um sistema de inteligência artificial funcionar, existe uma longa cadeia de materiais, fábricas e componentes.

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No caso da Ajinomoto, o protagonista é o ABF, sigla para Ajinomoto Build-up Film. Trata-se de uma película isolante usada em substratos de semicondutores de alto desempenho, como os encontrados em computadores potentes e data centers.

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O que é o ABF

Dentro de um chip, milhares de conexões precisam funcionar em espaços cada vez menores. Por isso, os materiais usados na construção dessas peças devem separar camadas, evitar falhas elétricas e permitir mais desempenho.

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É nesse ponto que o ABF entra. A película ajuda a organizar as conexões internas dos semicondutores e permite a fabricação de estruturas mais complexas, essenciais para processadores usados em aplicações pesadas.

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Com a expansão da IA generativa, esse tipo de componente ficou ainda mais importante. Modelos avançados exigem chips potentes, e esses chips dependem de materiais capazes de suportar alta densidade de conexões.

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O domínio silencioso

A força da Ajinomoto nessa área chama atenção porque o mercado é altamente concentrado. A empresa tem participação dominante no fornecimento desse filme isolante, o que torna o ABF uma peça sensível da cadeia global de tecnologia.

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Na prática, isso significa que a corrida da inteligência artificial não depende apenas de gigantes conhecidas, como fabricantes de placas gráficas, big techs e empresas de nuvem. Ela também passa por fornecedores discretos, muitas vezes fora do radar do público.

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Essa concentração pode criar gargalos. Se a demanda por chips cresce rápido demais, qualquer pressão sobre materiais essenciais pode afetar prazos, custos e capacidade de produção.