Adeus, Bluetooth: fones de ouvido com fio voltam à moda e conquistam geração Z

Mais baratos, simples e carregados de nostalgia, os fones com fio reaparecem no dia a dia dos jovens e desafiam uma tendência que parecia definitiva

Em meio ao excesso de telas e notificações, uma tecnologia considerada ultrapassada virou símbolo de identidade para parte da geração Z (Foto: Freepik)

Em meio ao excesso de telas e notificações, uma tecnologia considerada ultrapassada virou símbolo de identidade para parte da geração Z (Foto: Freepik)

Eles estavam praticamente esquecidos em gavetas e mochilas. Agora, voltaram a aparecer nos metrôs, nas salas de aula e até nas redes sociais. Os fones de ouvido com fio, considerados ultrapassados há poucos anos, estão reconquistando a geração Z e transformando a nostalgia em tendência.

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O movimento chama a atenção porque acontece justamente em um momento de avanço da inteligência artificial e de dispositivos cada vez mais conectados. Em vez de mais tecnologia, muitos jovens parecem querer exatamente o contrário.

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Mas o retorno dos fios vai além da moda passageira. Por trás dessa escolha, há uma mudança de comportamento que ajuda a explicar como a nova geração se relaciona com a tecnologia.

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Quando a simplicidade vira tendência

Por anos, os fones sem fio dominaram o mercado e pareciam ter encerrado a disputa. No entanto, as vendas de modelos com fio voltaram a crescer nos Estados Unidos em 2025, surpreendendo especialistas e mostrando que alguns hábitos podem retornar quando menos se espera.

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Parte do sucesso está no preço. Enquanto os modelos Bluetooth costumam custar mais caro, os fones com fio seguem sendo uma alternativa acessível. Além disso, eles não precisam de bateria, dispensam carregamento e funcionam assim que são conectados ao celular.

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Em uma rotina marcada por notificações e aplicativos que exigem atenção constante, essa simplicidade virou um diferencial. Para muitos jovens, usar um acessório que não pede atualizações nem configurações se tornou uma forma de reduzir a sensação de excesso tecnológico.

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A força da nostalgia entre os jovens

O retorno dos fones acompanha outra tendência que ganhou força nos últimos anos: a redescoberta de produtos que marcaram as décadas de 1990 e 2000. Câmeras digitais, iPods, CDs e até máquinas fotográficas analógicas também voltaram ao radar da geração Z.

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Pesquisas apontam que muitos jovens sentem nostalgia por formas de mídia que sequer fizeram parte de sua infância. O fenômeno revela um interesse crescente por objetos físicos e por experiências consideradas mais autênticas em um cotidiano cada vez mais digital.

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Nesse cenário, os fios brancos pendurados no pescoço deixaram de ser apenas um acessório. Eles se transformaram em um símbolo de identidade e em uma maneira de se diferenciar em meio a um mercado dominado por dispositivos inteligentes.

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Refúgio em meio ao excesso digital

O áudio ocupa um espaço cada vez maior na rotina dos jovens. Estudos mostram que adolescentes e jovens adultos passam mais de quatro horas por dia ouvindo música, podcasts e outros conteúdos sonoros, muitas vezes em busca de conforto emocional.

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Não por acaso, o fone de ouvido se tornou uma espécie de fronteira portátil entre o mundo exterior e o espaço pessoal. Em uma época de conexão permanente, colocar os fones pode significar criar um momento de pausa e isolamento.

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O curioso é que essa tendência acontece justamente quando empresas de tecnologia investem em recursos cada vez mais sofisticados, como inteligência artificial, tradução em tempo real e sensores biométricos. O sucesso dos modelos com fio aponta para a direção oposta.