A Polícia Civil do Estado de São Paulo e o Ministério Público do Estado de São Paulo deflagraram na manhã desta quinta-feira (25/6) a Operação Última Parada, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da capital paulista.
Ao todo, foram expedidos cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão.
Entre os presos estão o vereador paulistano Senival Moura, o presidente da Transunião Transportes S.A., Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, e Devanil de Souza Nascimento, chamado de “Sapo”, apontado como homem de confiança do parlamentar.
A reportagem procurou a defesa do vereador Senival Moura, e foi informada que o mesmo está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Ainda, a equipe jurídica informou que no momento está se inteirando dos detalhes e buscando acesso integral aos autos do processo/inquérito.
Segundo as investigações, os alvos são suspeitos de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas.
A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 194,4 milhões em contas ligadas aos investigados, além do sequestro de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.
A operação é conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Empresa opera 51 linhas em SP
De acordo com dados do SPUrbanuss, a Transunião opera 51 linhas de ônibus na capital e transporta cerca de 389 mil passageiros por dia, com atuação concentrada na zona leste.
Com a operação, a diretoria da empresa foi afastada por determinação judicial. A São Paulo Transporte S.A. foi comunicada e informou que a operação do sistema segue normalmente.
Os mandados estão sendo cumpridos em endereços na capital paulista, na região metropolitana e em Extrema, em Minas Gerais.
Investigação começou após assassinato
O inquérito que resultou na operação teve início a partir da investigação do assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-presidente da Transunião, executado em 2020.
Segundo o Ministério Público, documentos manuscritos conhecidos como “salves” do PCC apontam que Adauto e Senival Moura teriam sido condenados à morte pela facção por supostos desvios de recursos.
A investigação aponta que parte desse dinheiro teria sido usada em um caixa dois para a campanha eleitoral de 2020.
Ainda segundo o MP, Senival teria concordado com a execução de Adauto e acabou sendo mantido pela facção por conta de sua influência política.
Após o crime, o PCC teria nomeado Lourival Monário, conhecido como “Orelha”, e Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”, para assumir o comando da empresa e manter o fluxo de dinheiro para a organização.
Esquema movimentava recursos públicos
As investigações apontam que a Transunião, que recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema municipal de transporte apenas em 2025, era usada como estrutura para lavar dinheiro do crime organizado.
Segundo o MP, a empresa mantinha um núcleo paralelo que autorizava transferências milionárias para integrantes da facção.
A apuração também identificou irregularidades na constituição societária da companhia. O capital social da empresa saltou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem comprovação da origem dos recursos, o que teria permitido sua participação em licitações públicas.
Ligação com a máfia italiana
Os investigadores afirmam ainda que o modelo usado pela Transunião tem conexões com outras operações de combate ao crime organizado, como Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi.
Essa última apurou ligações entre o PCC e a máfia italiana ‘Ndrangheta no tráfico internacional de drogas.
A ofensiva ocorre um ano após a Operação Fim da Linha, que atingiu empresas de ônibus suspeitas de lavar dinheiro do tráfico na capital.
