Operação contra lavagem de dinheiro para o PCC prende vereador em SP e bloqueia R$ 194 milhões de empresa de ônibus

Operação Última Parada investiga lavagem de dinheiro do PCC no transporte público de São Paulo. Justiça bloqueou R$ 194 milhões e afastou diretoria da Transunião

Homem de cabelos grisalhos, óculos e cavanhaque, vestindo terno cinza, fala ao microfone sentado em uma cadeira estofada azul. À sua frente, em uma bancada de madeira, há duas placas de identificação brancas onde se lê "Ver. SENIVAL MOURA (PT)" e "COMISSÃO DE TRÂNSITO, TRANSPORTES E ATIVIDADE ECONÔMICA". Ao fundo, há uma parede de mármore claro

Justiça também determinou o bloqueio de R$ 194,4 milhões em contas ligadas aos investigados - Divulgação/Rede Câmara

A Polícia Civil do Estado de São Paulo e o Ministério Público do Estado de São Paulo deflagraram na manhã desta quinta-feira (25/6) a Operação Última Parada, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da capital paulista.

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Ao todo, foram expedidos cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão.

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Entre os presos estão o vereador paulistano Senival Moura, o presidente da Transunião Transportes S.A., Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, e Devanil de Souza Nascimento, chamado de “Sapo”, apontado como homem de confiança do parlamentar.

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A reportagem procurou a defesa do vereador Senival Moura e aguarda posicionamento.

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Segundo as investigações, os alvos são suspeitos de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas.

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A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 194,4 milhões em contas ligadas aos investigados, além do sequestro de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.

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A operação é conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

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Empresa opera 51 linhas em SP

De acordo com dados do SPUrbanuss, a Transunião opera 51 linhas de ônibus na capital e transporta cerca de 389 mil passageiros por dia, com atuação concentrada na zona leste.

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Com a operação, a diretoria da empresa foi afastada por determinação judicial. A São Paulo Transporte S.A. foi comunicada e informou que a operação do sistema segue normalmente.

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Os mandados estão sendo cumpridos em endereços na capital paulista, na região metropolitana e em Extrema, em Minas Gerais.

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Investigação começou após assassinato

O inquérito que resultou na operação teve início a partir da investigação do assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-presidente da Transunião, executado em 2020.

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Segundo o Ministério Público, documentos manuscritos conhecidos como “salves” do PCC apontam que Adauto e Senival Moura teriam sido condenados à morte pela facção por supostos desvios de recursos.

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A investigação aponta que parte desse dinheiro teria sido usada em um caixa dois para a campanha eleitoral de 2020.

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Ainda segundo o MP, Senival teria concordado com a execução de Adauto e acabou sendo mantido pela facção por conta de sua influência política.

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Após o crime, o PCC teria nomeado Lourival Monário, conhecido como “Orelha”, e Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”, para assumir o comando da empresa e manter o fluxo de dinheiro para a organização.

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Esquema movimentava recursos públicos

As investigações apontam que a Transunião, que recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema municipal de transporte apenas em 2025, era usada como estrutura para lavar dinheiro do crime organizado.

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Segundo o MP, a empresa mantinha um núcleo paralelo que autorizava transferências milionárias para integrantes da facção.

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A apuração também identificou irregularidades na constituição societária da companhia. O capital social da empresa saltou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem comprovação da origem dos recursos, o que teria permitido sua participação em licitações públicas.

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Ligação com a máfia italiana

Os investigadores afirmam ainda que o modelo usado pela Transunião tem conexões com outras operações de combate ao crime organizado, como Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi.

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Essa última apurou ligações entre o PCC e a máfia italiana ‘Ndrangheta no tráfico internacional de drogas.

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A ofensiva ocorre um ano após a Operação Fim da Linha, que atingiu empresas de ônibus suspeitas de lavar dinheiro do tráfico na capital.