O governo renovou a cota de carros elétricos importados semimontados e desmontados livres de impostos de importação. A medida foi divulgada na última quarta-feira (24/6) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Márcio Fernando Elias Rosa.
O projeto entrará em vigor a partir do dia 1.º de julho e busca garantir “melhores preços” e favorecer o consumidor. O volume de importações que não pagarão impostos é de US$ 463 milhões durante seis meses.
A decisão de renovação da cota foi adotada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) na última terça-feira (23/6). A proposta englobará ainda a circulação de partes, peças e componentes dos veículos citados no mercado.
Reação do setor automotivo
Por outro lado, a decisão causou reações dentro do cenário automotivo brasileiro. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirma que a medida é “contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças”.
“A decisão, tomada sem consulta ao setor produtivo, altera de forma intempestiva uma política definida pelo próprio Governo Federal, que teve como objetivo combinar a expansão da eletromobilidade no Brasil com a atração de investimentos produtivos de longo prazo para o país”, completou a associação.
Em contrapartida, o ministro Márcio Elias Rosa disse que o governo federal continua estimulando a indústria automotiva no Brasil. Rosa ainda afirmou ver vantagens e instrumentos de fomento e apoio à produção nacional. O ministro também observou o aumento no número de montadoras de carros elétricos se instalando no país e garantiu que o diálogo sempre existirá dentro do setor.
Motivação e possíveis impactos da medida
O movimento ocorre em meio ao avanço das montadoras do segmento no território nacional, especialmente de origem chinesa, além do debate sobre como equilibrar os interesses da indústria nacional com o aumento do acesso aos veículos elétricos.
A proposta pode conter o aumento no preço de carros eletrificados no mercado brasileiro que entram no país sem pagar tributos dentro das regras estabelecidas pelo governo. Enquanto isso, empresas chinesas do segmento, como a BYD e a GWM, começaram projetos para produzir no mercado interno.
Conforme a decisão do governo, os veículos montados no Brasil (CKD) e os semimontados no país (SKD) não pagarão impostos de importação pelos próximos seis meses até o volume de importação estabelecido.
Aumento da presença de carros elétricos no mercado
Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que 35.356 emplacamentos de veículos eletrificados foram registrados em março de 2026. O número exibe uma alta de 42% em relação a fevereiro e de 146% na comparação com o mesmo período em 2025.
No acumulado do primeiro trimestre, foram 83.947 unidades, mais que o dobro do registrado em 2025, com participação de 14% nas vendas totais de veículos leves.
