O aumento recente no número de carros elétricos circulando no Brasil pode afetar a rotina e a qualificação em oficinas e concessionárias nos próximos anos.
Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que 35.356 emplacamentos de veículos eletrificados foram registrados em março de 2026. O número exibe uma alta de 42% em relação a fevereiro e de 146% na comparação com o mesmo período em 2025.
No acumulado do primeiro trimestre, foram 83.947 unidades, mais que o dobro do registrado em 2025, com participação de 14% nas vendas totais de veículos leves.
Entenda o que vai mudar
Com os veículos usando cada vez menos componentes mecânicos e com as montadoras incorporando novas tecnologias, o mercado exige novos conhecimentos, equipamentos e medidas de segurança.
Diferente dos carros movidos a combustão, os elétricos não possuem motor tradicional, óleo lubrificante ou sistema de escapamento, o que reduz drasticamente a manutenção periódica.
Entretanto, este mesmo fator aumenta a complexidade dos sistemas eletrônicos, especialmente quando se trata do principal componente de um carro movido por eletricidade: a bateria de alta tensão.
Segundo Edson Nagazava, sócio do Grupo Unic, especializado em veículos elétricos, a lógica da manutenção mudou.
“A menor quantidade de componentes reduz a frequência de intervenções, mas exige um nível muito maior de especialização. O foco passa a ser eletrônica, software e gestão de energia”, afirma.
Como manter o bom funcionamento
Para garantir o bom funcionamento do veículo ao longo do tempo, é crucial seguir revisões previstas no manual do fabricante. Na maioria dos casos, as montadoras oferecem uma garantia para bateria de até oito anos.
Valor de bateria é obstáculo para condutores de modelos híbridos/Divulgação/ToyotaTambém é importante monitorar a temperatura, o desempenho e os ciclos de carga. O cuidado do condutor com o veículo preserva a eficiência do sistema.
Outros itens do carro, como freios, tendem a sofrer menos desgaste devido à regeneração. Já os pneus e a suspensão exigem monitoramento mais detalhado por causa do peso da bateria.
Toda essa transformação agrava a complexidade na hora de cuidar do carro, o que exige a reestruturação das oficinas.
O atendimento de veículos elétricos exige investimento em infraestrutura, como boxes adaptados, reforço da rede elétrica, ferramentas isoladas para alta tensão e equipamentos de diagnóstico.
“Não é apenas adaptação, mas uma mudança completa de operação, com protocolos rigorosos de segurança”, destaca Nagazava.
Profissionais devem se preparar
A qualificação da mão de obra também muda, uma vez que os profissionais passam a lidar com sistemas eletrônicos e softwares embarcados.
“O treinamento envolve desde o uso correto de EPIs até o entendimento de sistemas de alta tensão. É uma nova exigência do setor”, afirma o executivo. “Sem preparo adequado, há risco real de choque elétrico e falhas no sistema”, completou.
Adaptação e mudança de grandes grupos
Mesmo com a adaptação ainda em andamento no Brasil, grandes grupos começaram a investir em estrutura e capacitação, mas o processo ainda é desigual fora dos grandes centros.
Para o consumidor, o recomendado é avaliar a assistência técnica disponível, seguir o plano de manutenção e verificar a infraestrutura de recarga.
“O planejamento vai além da compra e impacta diretamente a experiência com o veículo”, conclui Nagazava.
