Governo exonera responsável por monitorar desmatamento na Amazônia

Demissão ocorre em meio a alta no desmatamento; motivo para exoneração da coordenadora-geral de Observação da Terra do Inpe não foi esclarecido

De agosto de 2019 a julho de 2020, os alertas de desmatamento na Amazônia cresceram 34%, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)

O mês de junho foi o com maior devastação dos últimos cinco anos da Amazônia | /Mayke Toscano/Secom-MT

Nesta segunda-feira (13), o governo exonerou a pesquisadora responsável pelo trabalho de monitoramento da devastação florestal no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Lubia Vinhas foi retirada do cargo de coordenadora-geral de Observação da Terra do Inpe, departamento responsável pelos sistemas Deter e Prodes, que acompanham o desmatamento da Amazônia. A exoneração ocorre em meio a alta no desmatamento da floresta.

Na sexta-feira (10), o Inpe havia atualizado os dados de alertas de desmatamento na Amazônia referentes a junho, apontando uma alta de 10,65% em relação a junho do ano passado. De acordo com os dados são 14 meses consecutivos de aumento e o maior valor para o mês desde 2016.

A exoneração de Lubia foi publicada no Diário Oficial (DOU) desta segunda, assinada pelo ministro Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia, pasta à qual é vinculada o Inpe. O motivo ainda não foi esclarecido.

Ao jornal “O Estado de s. Paulo”, Lubia afirmou somente que soube da exoneração do cargo comissionado ao ler o DOU desta segunda e que cabe ao diretor do órgão, Darcton Policarpo Damião explicar o motivo da exoneração. Como servidora de carreira, ela continuará atuando como pesquisadora da casa.

A reportagem apurou que a medida pode estar relacionada a um processo de reestruturação do Inpe que vem sendo planejada desde o ano passado, logo depois que Damião substituiu Ricardo Galvão, demitido por questionar críticas do presidente Jair Bolsonaro sobre os dados do desmatamento.

Pela mudança proposta, a Coordenação de Observação da Terra, até então um departamento que responde diretamente à direção, passaria a ser subordinado a uma outra coordenação. Na prática, para técnicos do órgão, a coordenação gerida por Lubia deixaria de existir.

Conforme a reportagem apurou, apesar de a nova estrutura ainda não ter sido oficializada, o que demanda uma mudança no regimento interno do Inpe, a direção do instituto já estaria atuando com essa estrutura paralela.

A exoneração ocorre somente três dias depois de serem divulgados novos dados mostrando que o desmatamento da Amazônia em junho manteve o ritmo de alta mesmo com uma ação de militares na região desde maio e com a pressão que vem sendo feita por investidores estrangeiros para que o governo controle o problema.

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Alertas feitos pelo sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indicam a perda de 1.034,4 km² no mês de junho, alta de 10,65% em relação a junho do ano passado, quando os alertas apontaram desmate de 934,81 km². Em apenas um mês, foram derrubados na Amazônia o equivalente à área da cidade de Belém (Pará).

É o mês de junho com maior devastação dos últimos cinco anos. Já são 14 meses consecutivos de alta no corte da floresta em relação aos mesmos meses do ano anterior. Em oito desses meses, as taxas bateram os recordes do registro desde 2015. No acumulado desde agosto (quando se inicia o calendário anual para fins de detecção do que ocorre na floresta), o Deter indica a devastação de 7.566 km², ante 4.589 km² no período de agosto de 2018 a junho de 2019. O aumento para esse período é de 65%.

O valor até o momento já é maior do que o acumulado de todos os alertas dos 12 meses entre agosto de 2018 e julho de 2019: 6.844 km². Somente nos primeiros seis meses deste ano, foram mais de 3 mil km² de florestas perdidos, o equivalente a duas vezes a área da cidade de São Paulo.