A Secretaria de Saúde de Manaus tem dez dias para responder se foi pressionada pelo Ministério da Saúde para usar cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina no tratamento de pacientes com Covid-19. O prazo foi determinado pelo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Benjamin Zymler.
Os medicamentos não têm eficácia comprovada no combate à doença. No fim de janeiro, o ministro do tribunal já havia escrito em um despacho que a cloroquina só poderia ser fornecida pelo SUS no tratamento à Covid-19, caso tivesse sido autorizada pela Anvisa ou por autoridades sanitárias estrangeiras, o que não aconteceu.
Segundo informações obtidas pelo “G1”, Zymler quer saber se a força-tarefa do Ministério da Saúde que visitou Manaus em janeiro fez pressão sobre autoridades locais para o uso dos remédios. Após a visita, o sistema de saúde de Manaus entrou em colapso, o que causou mais mortes pelo coronavírus e falta de oxigênio em vários hospitais.
Em seu despacho, o ministro do TCU escreveu.” Informe se houve algum tipo de pressão por parte dos membros da força-tarefa do Ministério da Saúde quando da visita feita no dia 11/1/2021, para que essa unidade de saúde difundisse a utilização de medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina e/ou ivermectina no tratamento precoce dos pacientes com Covid-19 nesse município”.
A decisão de Zympler tem como base o pedido do Ministério Público de Contas.