Por que São Paulo chegou a 100 mil mortes pela Covid-19

Mesmo com avanço da vacinação, que já chegou a todos os idosos, o Estado atinge a marca de 100 mil vítimas fatais pela pandemia neste fim de semana

João Doria, durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes

João Doria, durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes | Divulgação/Governo do Estado

O estado de São Paulo chegou neste fim de semana à chocante marca de 100 mil mortes causadas pela pandemia da Covid-19. A marca impressiona porque só oito países têm mais de 100 mil vítimas fatais pela doença: Estados Unidos (580 mil), Brasil (417 mil), Índia (234 mil), México (218 mil), Reino Unido (128 mil), Itália (122 mil), Rússia (110 mil) e França (106 mil). Ou seja, se fosse uma nação, o estado de São Paulo seria a nona mais letal pela doença no planeta em números absolutos.

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De acordo com outro levantamento, feito em abril, São Paulo seria o 11º país com pelo menos um milhão de habitantes mais arriscado para se viver durante a pandemia por 100 mil habitantes, com 177 mortes a cada 100 mil moradores. Há risco maior de morrer por Covid morando em São Paulo do que países como Estados Unidos, Peru e Portugal. O Estado também é mais mortal que a média brasileira, que é de 165 mortes por 100 mil habitantes.

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Os especialistas dizem que vários motivos levaram São Paulo a ser tão letal. Segundo Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, há uma série de falhas do governo federal e estadual que explicam o grande número de casos em território paulista.

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No caso de Doria, ele criticou o Plano São Paulo, que entrou em vigor em 1º de junho como um plano de retomada heterogênea das atividades econômicas e sociais no Estado. “Não existe nos anais da ciência e da medicina uma quarentena heterogênea. Ou é quarentena ou não é”.

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Ele também criticou, em conversa com a Gazeta no ano passado, o tom que Doria costuma dar a várias entrevistas de que a pandemia está sob controle. “Essa é uma verdadeira enganação da população”, disse.

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A Gazeta também procurou deputados estaduais, da situação e da oposição, para entender por que São Paulo chegou a 100 mil mortes pela doença, se tornando um dos “países” mais mortais pela doença.

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Para Carlos Giannazi (PSOL), há uma grande parcela de culpa do governo estadual no aumento da pandemia do Estado, e listou as ações que teriam causado o número.

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“Aberturas das escolas para as aulas presenciais que não são seguras e aumentam a contaminação e flexibilização da abertura do comércio para atender os interesses de setores econômicos em detrimento da saúde pública e da vida”. Ele também destacou a falta de renda emergencial e ajuda financeira aos comerciantes e pequenos empreendimentos do Estado.

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Por outro lado, a deputada estadual Analice Fernandes (PSDB) tirou a culpa de Doria, ao citar que o Estado chegou à marca “devido à incompetência de quem foi contra a vacina, contra o uso de máscaras, contra o distanciamento social”.

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Para a parlamentar, Doria desempenhou um importante papel para a superação da pandemia ao liderar a busca pela vacina. “São Paulo, graças a iniciativa e a ousadia do governador João Doria, conseguiu produzir a Coronavac e hoje 80% das pessoas imunizadas no Brasil, tomaram a Coronavac. Eu lhe pergunto: e se essas vacinas pudessem ter ficado no Estado de SP ? Se o Brasil tivesse mais vacinas?”, questionou.

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Ela também destacou que o Estado triplicou o número de leitos, e destacou que há características de São Paulo que fazem os casos ter sido maiores. “O Estado de São Paulo é o mais populoso, e também o que possui as cidades mais adensadas do País. O Brasil e o mundo se encontram aqui. Nossos aeroportos são os mais movimentados do Brasil, fomos expostos a toda sorte de perigos por incompetência do governo federal”.

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O deputado Cezar (PSDB) destacou que o mundo inteiro sofre as consequências da pandemia, e também destacou o papel de Doria para atrair vacinas para São Paulo.

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“Iniciativas importantes para imunização foram adotadas pelo governador João Doria como, a exemplo, a produção de doses da Butanvac, primeira vacina nacional contra o coronavírus, no Instituto Butantan. Graças ao governador, o Brasil deu início à vacinação através da Coronavac. Até o momento, São Paulo entregou 43 milhões de vacinas do Butantan ao País”.

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Questionado qual ponto poderia ser melhorado no combate à pandemia, o parlamentar citou o transporte público. “Com relação aos pontos a serem melhorados, considero importante dar atenção ao transporte público, pois é o principal meio de locomoção para os trabalhadores e um fator de risco de contaminação nessa pandemia”.

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Nesta sexta-feira (7), o Governo de São Paulo flexibilizou as medidas de combate à pandemia, ao ampliar o horário de funcionamento de restaurantes e do comércio em todo o Estado.

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Apesar de relaxar ainda mais as regras, a gestão Doria manteve o Estado por mais duas semanas no que nomeou de “fase de transição” da quarentena contra a disseminação do coronavírus.