Alegando ‘grave crise econômica nacional’, Governo de SP adia leilão do Rodoanel

A obra já acumula 8 anos de atraso e, com a nova suspensão da licitação, não há previsão exata para retomada do projeto

Obras do trecho Norte do Rodoanel

Obras do trecho Norte Rodoanel; este é o último trecho para a conclusão do anel viário com 176,5 km que conecta as vias mais importantes do Estado | Deividi Correa/Folhapress

Atrasado há 8 anos, a construção do trecho norte do Rodoanel, prometida para ser retomada neste ano, deve ser travada novamente. Isso porque o Governo de São Paulo anunciou nesta terça-feira (26) que irá adiar a abertura do leilão que escolheria a empresa para dar continuidade às obras. O leilão aconteceria nesta quarta-feira, mas, segundo a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), precisou ser adiado devido a “incertezas geradas pela grave crise econômica nacional”.

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O trecho Norte do Rodoanel é o último que falta para conclusão do projeto que foi criado em 1998 e que tem no total 176,5 km de extensão, conectando as vias mais importantes do Estado. O percurso Norte abrange 44 km e deve ser uma alternativa para motoristas que hoje utilizam a Marginal Tietê e a Rodovia Presidente Dutra, passando pelos municípios de Guarulhos e Arujá, entre outros.

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De acordo com o governo paulista, são necessários R$ 2,6 bilhões em investimentos no Capex (despesas para concluir a obra) e de R$ 1,5 bilhão de Opex (despesas de operação do trecho pedagiado). O texto conta com informações do “g1”.

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Sobre o adiamento da licitação a Agência diz que “A exemplo do que acontece em concessões aeroportuárias e rodoviárias federais e estaduais em todo Brasil, o governo do Estado de São Paulo adiou o leilão de concessão do trecho Norte do Rodoanel devido às incertezas geradas pela grave crise econômica nacional”, informa o comunicado da Artesp.

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A alta inflação da construção civil das últimas duas décadas no Brasil e a alta taxa de juros (Selic) são alguns dos argumentos apresentados pela entidade para justificar a não realização do leilão nesta semana.

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O anúncio de retomada das obras do trecho norte da via foi feito em janeiro pelo governo João Doria (PSDB) com a publicação do edital de licitação para a conclusão dos obras da SP-021. As obras estavam previstas para serem entregues em 2014, mas estão paradas desde dezembro de 2018. 

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Quando anunciou a nova licitação em janeiro, Doria afirmou que as obras seriam concluídas até 2023. Posteriormente, o secretário estadual de Logística e Transportes, João Octaviano Machado Neto, atualizou a estimativa e disse que até agosto de 2025 o novo trajeto seria entregue aos paulistas.

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A licitação

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Agora sem nova data para ocorrer, a concessão para continuidade das obras prevê um investimento total de R$ 3 bilhões e o período de privatização da via será de 31 anos com previsão de cobrança de pedágio.

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A concorrência ainda deverá ocorrer na modalidade “internacional” para a concessão patrocinada dos serviços públicos de ampliação, operação, manutenção e realização dos investimentos necessários para a exploração do sistema rodoviário.

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A empresa vencedora terá que concluir as obras físicas do trecho Norte, ampliando a malha rodoviária. Além disso, ela será responsável por administrar, operar e fazer a manutenção da via. A nova administradora também terá de apresentar proposta para implementação do sistema de cobrança de pedágio free flow, no qual o veículo não precisa parar para pagar pela tarifa.

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Polêmicas

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As obras do trecho norte do Rodoanel já somam um custo de mais de R$ 6,3 bilhões, o que corresponde a um valor 50% maior do previsto inicialmente de acordo com o Tribunal de Contas do Estado (TCE).

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Em fevereiro de 2020, um estudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), contratado pelo próprio Governo de São Paulo, encontrou cerca de 1.300 as falhas no projeto e na estrutura da construção da via. Segundo a análise, 59 pontos representam grandes falhas construtivas, tais como erosão em terrenos e estruturas, infiltrações e colunas desalinhadas.

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Pedágio

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Quatro praças de pedágio poderão ser instaladas no trecho pela empresa vencedora da licitação ao longo dos 44 km da rodovia. Segundo o secretário estadual de Transportes e Logística, João Otaviano Machado, a companhia responsável poderá explorar a via com a cobrança de tarifas pelo período de 30 anos. Será escolhida da empresa que apresentar a proposta de cobrança mais eficiente.

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As praças de pedágio devem ser instaladas no entroncamento do trecho Norte com a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, nas proximidades da rodovia Fernão Dias e no entroncamento com a rodovia Presidente Dutra.

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Diferente dos editais passados, a nova concorrência prevê que apenas um lote de concessão seja ofertado e não mais seis lotes. Se os prazos forem cumpridos, a cobrança de pedágio poderá começar no 25º mês de concessão.