Mulheres são só 1 a cada 7 pré-candidatos a governos estaduais

Até agora, 22 mulheres se lançaram pré-candidatas a governos estaduais em um total de ao menos 161 nomes que devem concorrer neste ano

Homens acusaram pelo menos sete pessoas de deixarem de votar em Bolsonaro

Urna eletrônica | Nelson Jr./TSE

Em uma eleição marcada pela polarização e pelo forte enfrentamento entre lulistas e bolsonaristas, os partidos têm adotado postura menos aberta à diversidade de gênero na definição de candidaturas nos estados Mulheres são só 1 em cada 7 pré-candidatos a governos estaduais, segundo levantamento feito pela Folha. O percentual é inferior ao registrado nas eleições de 2018 e poderá ser ainda menor, já que parte delas ainda não foi referendada por seus partidos.

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Até agora, 22 mulheres se lançaram pré-candidatas a governos estaduais em um total de ao menos 161 nomes que devem concorrer aos governos dos 26 estados e Distrito Federal –o equivalente a 13,6%.

Em 2018, esse percentual chegou a 15%, com 30 candidaturas femininas. Quatro anos antes foram 20 candidatas mulheres, representando 11% do total de postulantes a governos estaduais.

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Só seis estados brasileiros já elegeram mulheres governadoras: Rio de Janeiro, Pará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Roraima.

O Rio Grande do Norte é o recordista nesse quesito: foram três governadoras desde a redemocratização. A última delas foi a atual governadora Fátima Bezerra (PT), única mulher eleita para um governo estadual em 2018.

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Ela vai concorrer a um novo mandato em outubro e tentar repetir o feito de ser reeleita para um governo estadual, que só foi alcançado por duas mulheres no Brasil: Roseana Sarney, no Maranhão, e Wilma de Faria, no Rio Grande do Norte.

Fátima Bezerra vai para a disputa na condição de favorita, mas avalia o momento como de maior dificuldade para as mulheres.

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Ela diz que a ascensão do presidente Jair Bolsonaro (PL) –que, em sua avaliação, comanda “um governo federal de perfil machista e misógino”– resultou em retrocessos em todos os espaços de atuação e participação feminina.

“Voltamos algumas casas nas nossas conquistas quando atravessamos períodos em que até mesmo a nossa existência é ameaçada por discursos de ódio e de violência e por políticas públicas facilitadoras da barbárie”, afirma.

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Outras duas mulheres assumiram os governos estaduais em abril deste ano com a renúncia dos titulares para as eleições, mas não há garantia de continuidade.

No Piauí, a governadora Regina Sousa (PT), que assumiu o posto de Wellington Dias (PT), diz que não pleiteou a sucessão por questões de saúde.

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A governadora do Ceará, Izolda Cela (PDT), tenta se viabilizar para a sucessão, mas enfrenta concorrência interna de outros três nomes –todos homens– do seu partido, que também são pré-candidatos ao governo.

Estado nunca comandado por uma mulher, Pernambuco vive a situação inédita de ter duas mulheres liderando as pesquisas para o governo: a deputada Marília Arraes (Solidariedade) e a ex-prefeita de Caruaru Raquel Lyra (PSDB).

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Marília Arraes, que teve que deixar o PT para viabilizar sua candidatura ao governo, classifica a política como um espaço ainda hostil às mulheres, que disputam em condição desigual no acesso aos recursos de financiamento e tempo de televisão.

Isso porque, na visão da deputada, a política ainda é um espaço majoritariamente masculino –pensado e ocupado por homens. “O meu partido está me tratando como prioridade e me dando esse espaço, mas isso é uma exceção na conjuntura partidária do Brasil.”

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Raquel Lyra, que foi a primeira mulher a ser eleita prefeita de Caruaru, agora tenta ser a primeira governadora de Pernambuco. Ela destaca a maior presença feminina na eleição majoritária como um marco para o estado.

Por outro lado, também avalia que o avanço das mulheres é brecado pelas instâncias decisórias dos partidos. Quanto mais importante é o cargo, maior é o desafio para a consolidação de candidaturas femininas. “Não é fácil se manter de pé, a caminhada para a mulher é sempre difícil.”

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Em 2018, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) definiu que ao menos 30% do fundo público de financiamento de campanhas, o chamado fundo eleitoral, devem ir para candidaturas femininas.

Cabe aos partidos decidir quais candidaturas serão beneficiadas com os recursos para candidaturas de mulheres, o que inclui candidaturas majoritárias com homens como cabeça de chapa e mulheres como candidatas a vice. Com isso, o número de mulheres candidatas a vice cresceu tanto na disputa presidencial quanto nos estados.

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Em 2019, a Folha revelou a existência esquemas de candidaturas laranjas nos estados de Pernambuco e Minas, com suspeitas de desvios de recursos que deveriam financiar candidaturas de mulheres.

Pelo cenário das pré-candidaturas desenhado até o momento, só 14 das 27 unidades da federação terão mulheres como candidatas a governadoras. Mas são poucas que serão uma prioridade de seus partidos em nível nacional.

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A deputada federal Rose Modesto (União Brasil) é pré-candidata ao Governo do Mato Grosso do Sul –a última vez que uma mulher concorreu a esse cargo no estado foi em 2002.

A parlamentar reforça que as legendas ainda investem pouco em mulheres para cargos do Executivo. “Sempre olham para as mulheres como ‘uma boa vice’. Estamos sempre nesse lugar.”

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Ela diz ainda que seu partido enfrentou pressão de outras legendas para desistir de lançar seu nome e formar alianças locais. “Eles enxergaram em mim o potencial e analisaram a minha candidatura pelo critério de quem tem condição de disputar, não se é homem ou mulher.”

Para Flávia Biroli, professora do Instituto de Ciência Política da UnB, uma hipótese que pode ajudar a explicar a baixa representatividade feminina que se desenha para 2022 é, justamente, a atuação dos partidos políticos e de seus dirigentes.

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“Sem a existência de uma legislação que exija que os partidos abram espaço para as mulheres, enxergamos que a roda segue girando do jeito que está azeitada. Ou seja, é mantido o controle dos homens sobre os recursos partidários, o que inclui o direito de candidatura, que segue produzindo esse desequilíbrio muito grande.”

Para ela, há uma reação “silenciosa dentro das próprias legendas à pressão cada vez mais crescente por participação das mulheres na política, no sentido de “uma reafirmação do controle masculino nos partidos”.

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Além disso, Biroli destaca o que considera “desmantelamento de políticas públicas para mulheres” no governo de Jair Bolsonaro e a violência política contra as candidatas –”o que pode contribuir para a diminuição da participação das mulheres.

Ao todo, dez partidos devem lançar candidatas mulheres a governos estaduais: PSOL, PDT, PT, MDB, PSDB, PSB, União Brasil, Solidariedade, PMB e PCB.

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Para o Palácio do Planalto, o MDB lançou a senadora Simone Tebet (MS), e há outras duas mulheres: Vera Lucia (PSTU) e Sofia Manzano (PCB).

O MDB também lançou Teresa Surita ao Governo de Roraima e a deputada federal Mara Rocha ao do Acre.

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O PDT tem quatro pré-candidatas: além de Izolda Cela no Ceará, o partido prepara as candidaturas da senadora Leila Barros, no DF, da vice-governadora Lígia Feliciano, na Paraíba, e da defensora Carol Braz, no Amazonas.

O PSOL lidera em pré-candidaturas femininas, com oito postulantes. Nem todas, contudo, devem chegar à eleição, devido às alianças em estados.