Memória: Morumbi, o bairro que nasceu de uma fazenda de chá

Apesar de sua história começar no século 19, o crescimento do bairro do Morumbi só acelerou após a construção do Estádio do São Paulo Futebol Clube

Atualmente, o bairro do Morumbi possui um dos maiores índices de desenvolvimento humano da cidade de São Paulo

Atualmente, o bairro do Morumbi possui um dos maiores índices de desenvolvimento humano da cidade de São Paulo | Moacyr Lopes Júnior/Folhapress

Localizado a cerca de 15 quilômetros do centro da cidade de São Paulo, o bairro do Morumbi tem o início de sua história no século 19, quando Dom João VI doou uma propriedade de 8 mil m², conhecida como Fazenda Morumby, ao agricultor inglês John Rudge.

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Ao chegar na fazenda, Rudge encontrou uma capela e uma bela casa, construídas em 1813 pelo regente Diogo Antônio Feijó, além de uma terra fértil com clima propício para o cultivo de chá, o que o levou a instalar ali a primeira fazenda de chá do Brasil.

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O cultivo de chá não resistiu a uma praga no início do século 20, porém, a capela e a casa existem até os dias de hoje, sendo que em 2005, após restauração na década anterior, as construções foram tombadas pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo.

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Hoje, batizada de Casa da Fazenda do Morumbi, o espaço é destinado à realização de eventos.

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Capela do Morumbi
Capela do Morumbi (Wikimedia Commons)

Surge um bairro
Com a extinção da plantação de chá, a propriedade foi dividida em lotes. Em 1948, já pertencente ao engenheiro Oscar Americano, inicia-se o processo de urbanização da área, com o engenheiro vendendo muitas terras para famílias ricas que queriam se afastar do centro da cidade e se instalaram na região com casas enormes.

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Mesmo com a chegada dos mais abastados, o desenvolvimento do bairro do Morumbi seguia lento. Tudo começa a mudar em 1952, com o início da construção do estádio de futebol do São Paulo Futebol Clube, o Estádio do Morumbi.

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Construção do Estádio do Morumbi, na década de 1950
Construção do Estádio do Morumbi, na década de 1950 (Arquivo Histórico do São Paulo Futebol Clube)

Um marco
Segundo historiadores, a inauguração do estádio, no ano de 1960, despertou o interesse das incorporadoras na região, o que fez com que nas décadas seguintes surgisse comércio e mais serviços nas intermediações.

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Outro evento que contribuiu para o crescimento do bairro do Morumbi foi a transferência da sede do governo paulista para o Palácio dos Bandeirantes, em 1970, durante o governo de Roberto de Abreu Sodré.

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Fachada do Palácio dos Bandeirantes
Fachada do Palácio dos Bandeirantes (Leonardo Wen/Folhapress)

Era uma vez, uma universidade…
Ainda que hoje abrigue a sede do governo estadual, o Palácio dos Bandeirantes não nasceu com essa função.

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A construção, que pertencia à família Matarazzo, surgiu para abrigar a Universidade Conde Francisco Matarazzo, que havia sido idealizada nos moldes da Universitá Comerciale Luigi Boccone, em Milão, na Itália.

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Porém, por conta de dívidas com o governo, a família Matarazzo acabou negociando o terreno e sua construção com o governador Adhemar de Barros, em 1964.

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Anos mais tarde, o prédio passou a abrigar a sede do governo do estado.

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Vista da favela de Paraisópolis
Vista da favela de Paraisópolis (Eduardo Knapp/Folhapress)

Atualidade
Atualmente, o bairro do Morumbi possui um dos maiores índices de desenvolvimento humano da cidade de São Paulo e sua população detém uma das maiores rendas e índices de educação da Capital. Porém, o bairro também apresenta contrastes sociais gritantes, por ter a comunidade de Paraisópolis, a segunda maior de São Paulo, com mais de 100 mil habitantes.