Rodrigo Maia diz que vai analisar CPI da Lava Jato

TEXTO. Protocolado pela oposição, o requerimento reuniu 174 assinaturas, 3 acima do mínimo

"CPI precisa ter fato determinado. É isso que preciso analisar nas próximas semanas", disse Maia

"CPI precisa ter fato determinado. É isso que preciso analisar nas próximas semanas", disse Maia | /Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta segunda-feira, em evento em São Paulo, que vai avaliar o mérito de pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a conduta dos responsáveis pela Operação Lava Jato.

Protocolado por parlamentares da oposição, o requerimento reuniu 174 assinaturas – 3 acima do mínimo de 171. “Não vi ainda (o documento). CPI precisa ter fato determinado. É isso que preciso analisar nas próximas semanas”, disse Maia, sem descartar a instalação.

No pedido, os deputados afirmam que o atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e procuradores do Paraná tentaram usar da estrutura do Judiciário para fins próprios e políticos. Esse argumento seria justificado pelas mensagens trocadas entre o grupo e reveladas pelo site “The Intercept Brasil”.

Durante sua fala a empresários e políticos reunidos para debater, entre outros assuntos, a necessidade de uma reforma tributária e de um corte radical de despesas do Estado, Maia citou que também o Judiciário deve participar desse processo. “Cada ente tem a prerrogativa de encaminhar sua reforma administrativa ao Congresso. Só o Judiciário pode cuidar da reforma dele. Se não encaminharem teremos um sistema distorcido. É importante que os três Poderes compreendam a necessidade, que a gente tenha um Estado mais eficiente e que custe menos para a
sociedade.”

Ao afirmar que Judiciário, além do Executivo e Legislativo, tem de entender a necessidade de cortar gastos, Maia ressaltou que essa postura evitaria falas como a do procurador de Minas Gerais Leonardo Azeredo, que classificou seu salário de R$ 24 mil como um “miserê” na semana passada.

Nesse contexto, o presidente da Câmara lembrou ainda da decisão do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o aumento de 16% nos subsídios de promotores e juízes estaduais. E comentou, com surpresa, que a Corte ainda vai analisar pedido dos advogados da União, que pleiteiam o mesmo período de férias do Judiciário: 60 dias no ano.

Maia, no entanto, não adiantou o corte de despesas que pretende fazer na reforma administrativa que elabora para a Câmara dos Deputados. Ele disse que contratou uma consultoria para esse trabalho e comentou que apenas a estrutura da Casa custa R$ 4 bilhões por ano sem contar o custo direto dos parlamentares. Ao fim de sua apresentação durante evento promovido pelo Grupo Voto, Rodrigo Maia comentou que sente “aflição” e “angústia” a respeito dos rumos do Brasil. Disse que o País dá “um passo à frente e dois atrás”. (EC)