N ão há nenhuma dúvida de que o universo das redes sociais trouxe ao cotidiano das relações interpessoais o antigo confronto entre esquerda e direita, que não carece ser entendido nos termos da filosofia ou da sociologia, mas na imposição de temáticas específicas e minimalistas. A consequência objetiva desse fato materializou-se na eleição de um personagem que representa uma resposta violenta e intransigente ao legado dos governos petistas e aos ideais pretensamente socialistas e submeteu a nação a loops infinitos, bloqueadores da ocorrência de “multitarefas cooperativas” no âmbito das relações sociais, distanciando-nos do bem mais precioso, ou seja, a nossa capacidade inerente de evoluir e avançar nos limites do senso crítico.
Assim, a época que vivenciamos teima em desvirtuar ou até mesmo negar a noção de valores adquiridos através da genética e de manifestações culturais ou linguísticas, juízos que deveriam ser compreendidos enquanto preceitos que nos libertam das amarras que regem as regras do mundo natural. Período baseado em conjunto de definições deturpadas com o único intuito de edificar relações de poder baseadas em crenças infundadas. Afinal, quem acreditaria que em pleno século XXI teríamos que reafirmar a esfericidade da terra? Lutar pela manutenção de um estado laico, notadamente na metodologia de aprendizado no sistema da educação pública? Impedir que a política aproprie-se do ordenamento familiar enquanto instrumento para imposição de normas e padrões? O medieval está à espreita e o caminho para a normalização das relações entre poder instituído e sociedade passa necessariamente pela pavimentação de uma hegemonia situada nos arredores das convicções de centro. Portanto, temos de assimilar o conservadorismo como a afirmação dos eventos que nos tornaram indivíduos melhores ou do processo histórico que nos trouxeram até aqui.
O conservadorismo representa a síntese, no embate entre tese e antítese. No futuro, conquistaremos patamares mais elevados de civilização por estarmos qualificados para a superação de nossas contradições e para a conservação dos princípios que rejeitem imposições primitivistas. No Brasil, significa que o centro liberal e democrático precisa romper com a tradição do “Centrão” demagógico, alicerçado no ativismo fisiológico. A agenda nacional não pode ser submetida a qualquer tipo de conduta esquizofrênica e anacrônica de natureza ideológica. Doravante, o alinhamento partidário para a retomada das potencialidades nacionais necessita empunhar bandeiras que levem em consideração a essência do comportamento humano em detrimento de crenças e dogmas reducionistas. O conservadorismo pode tornar-se moderno, libertário, fraterno, igualitário e unificador na medida em que protege a sociedade. Selvagerismo e doutrinação são assombrações recorrentes, eterno retorno de momentos em que a humanidade relegou a planos inferiores as suas conquistas civilizatórias.