Taxa de desemprego em 2022 cai para 9,3%, a menor desde 2015

A abertura de vagas, contudo, perdeu fôlego na reta final do ano, em um cenário de desaceleração da atividade econômica

No recorte trimestral, a taxa de desemprego já havia marcado 7,5% nos três meses encerrados em novembro

Conforme o órgão, a taxa de desemprego caiu para 9,3% na média anual de 2022 | Denny Cesare/Folhapress

Impulsionado pelo fim das restrições da pandemia, o mercado de trabalho brasileiro sinalizou retomada em 2022, com redução do desemprego e recorde na população ocupada. 

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A abertura de vagas, contudo, perdeu fôlego na reta final do ano, em um cenário de desaceleração da atividade econômica. É o que apontam analistas a partir dos dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

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Conforme o órgão, a taxa de desemprego caiu para 9,3% na média anual de 2022. Trata-se do menor nível em sete anos, ou desde 2015 (8,6%). À época, a economia nacional mergulhava em recessão. 

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O desemprego estava em 13,2% em 2021, após marcar 13,8% em 2020, o maior patamar da série histórica iniciada em 2012.

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Apesar da melhora no ano passado, a taxa de 9,3% ainda ficou 2,4 pontos percentuais acima da mínima histórica (6,9%), registrada em 2014. Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). 

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“O ano de 2021 foi de transição, saindo do pior momento da série histórica, sob impacto da pandemia e do isolamento ocorrido em 2020. Já 2022 marca a consolidação do processo de recuperação”, afirmou Adriana Beringuy, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE. 

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Na média de 2022, o número de desempregados foi estimado em 10 milhões. O patamar é o menor desde 2015 (8,7 milhões). Representa uma queda de 3,9 milhões frente a 2021 (13,9 milhões). 

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A população desempregada, conforme as estatísticas oficiais, inclui pessoas de 14 anos ou mais que estão sem trabalho e que seguem à procura de vagas. Quem não está buscando oportunidades, mesmo sem ter um emprego, não entra nesse grupo. 

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A Pnad retrata tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal. Ou seja, abrange desde os empregos com carteira assinada e CNPJ até os populares bicos. 

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O número de ocupados com algum tipo de trabalho chegou a 98 milhões na média de 2022. É o maior da série. Houve acréscimo de 6,7 milhões em relação a 2021 (91,3 milhões).

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 Segundo o IBGE, o número de empregados com carteira no setor privado subiu 9,2% na média de 2022, a 35,9 milhões. Apesar da alta, o contingente segue abaixo do recorde de 2014 (37,6 milhões). 

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O número de empregados sem carteira, por sua vez, aumentou 14,9%, para 12,9 milhões. É a máxima da série. “Nos últimos dois anos, é possível visualizar um crescimento tanto do emprego com carteira quanto do emprego sem carteira. 

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Porém, é nítido que o ritmo de crescimento é maior entre os sem carteira assinada”, disse Beringuy. 

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A renda do trabalho ainda não se recuperou da pressão inflacionária. Em termos reais, o rendimento médio foi estimado em R$ 2.715 na média anual, o que significa uma perda de 1% (ou menos R$ 28) ante 2021 (R$ 2.743). O valor mais recente supera apenas o de 2012 (R$ 2.679). 

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OCUPAÇÃO PERDE RITMO NO QUARTO TRIMESTRE 

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O IBGE também informou que a taxa de desemprego foi estimada em 7,9% no recorte do quarto trimestre de 2022. É o menor nível para esse período desde 2014 (6,6%). 

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O desemprego marcava 8,7% no terceiro trimestre de 2022, o intervalo anterior da série comparável da Pnad Contínua. No trimestre até novembro, que integra outra série da pesquisa, o indicador já estava em 8,1%. 

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A taxa até dezembro (7,9%) veio ligeiramente abaixo das estimativas do mercado. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam 8%. 

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Adriana Beringuy, do IBGE, ponderou que o recuo no quarto trimestre foi influenciado pela queda na procura por trabalho, e não por uma reação expressiva da ocupação, como ocorreu em meses anteriores. 

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O número de desempregados foi estimado em 8,6 milhões, uma baixa de 888 mil ante o terceiro trimestre (cerca de 9,5 milhões). 

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Já a população ocupada com trabalho alcançou 99,37 milhões até dezembro. É o maior nível da série histórica, mas ficou relativamente estável ante o trimestre anterior (99,27 milhões). 

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A variação foi de apenas 0,1%. O crescimento do número de ocupados havia sido de 1% no terceiro trimestre de 2022 e de 3,1% no segundo. 

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De acordo com Carlos Pedroso, economista-chefe do banco MUFG Brasil, o freio na ocupação pode ser associado à perda de ritmo da atividade econômica em meio ao contexto de juros altos. 

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“Parte da explicação vem da desaceleração ao longo do ano passado. O grosso do crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] ocorreu no primeiro semestre, e no segundo houve essa desaceleração.” 

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Historicamente, a reta final do ano é marcada por contratações temporárias no varejo. Essa movimentação está associada a eventos como o Natal. 

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O número de ocupados no comércio (19,2 milhões), porém, mostrou leve recuo de 0,2% no quarto trimestre de 2022. Foi a pior variação do setor nesse intervalo da série histórica. 

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O economista Luca Mercadante, da Rio Bravo Investimentos, também relaciona a perda de ritmo da ocupação ao cenário de desaceleração da atividade e juros elevados. 

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“Mesmo assim, ainda temos um mercado de trabalho forte”, avalia. 

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Mercadante destaca que há espaço para retomada da renda média do trabalho. Com a recente trégua da inflação, o indicador até deu sinais de melhora, mas segue abaixo do pré-pandemia. 

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No quarto trimestre de 2022, a renda foi estimada pelo IBGE em R$ 2.808. Houve crescimento de 1,9% frente aos três meses anteriores (R$ 2.757). Antes da crise sanitária, no quarto trimestre de 2019, o rendimento era de R$ 2.836. 

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DESEMPENHO MORNO EM 2023 

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No início de 2023, diz Mercadante, o mercado de trabalho deve continuar em desaceleração, mas sem um grande repique na taxa de desemprego. “A desaceleração deve continuar por boa parte do ano”, afirma. 

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A Rio Bravo projeta taxa de desocupação de 8,9% no quarto trimestre de 2023 e de 8,5% na média anual. 

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“A gente vê um mercado de trabalho ainda em recuperação, mas em uma recuperação mais gradual por causa da desaceleração econômica”, avalia Carlos Pedroso, do banco MUFG Brasil. 

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O banco prevê taxa de desemprego de 8,8% no quarto trimestre de 2023 e de 9,3% na média anual.

Taxa de desemprego em 2022 cai para 9,3%, a menor desde 2015

Antes da divulgação do resultado, analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam taxa de 8%

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O número de desempregados, por sua vez, foi estimado em 8,6 milhões no quarto trimestre de 2022 | Tania Rêgo/Agência Brasil

A taxa de desemprego do Brasil foi estimada em 7,9% no quarto trimestre de 2022, informou nesta terça-feira (28) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Antes da divulgação do resultado, analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam taxa de 8%.

O desemprego marcava 8,7% no terceiro trimestre de 2022, o período anterior da mesma série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). No trimestre até novembro, que integra outra série da Pnad, o indicador já estava em 8,1%.

Com os novos dados, a taxa de desemprego fechou 2022 em 9,3% na média anual. É o menor nível desde 2015.

O número de desempregados, por sua vez, foi estimado em 8,6 milhões no quarto trimestre de 2022. O contingente somava 9,5 milhões no terceiro trimestre e 8,7 milhões no intervalo encerrado em novembro.

A população desempregada, conforme as estatísticas oficiais, é formada por pessoas de 14 anos ou mais que estão sem trabalho e seguem à procura de novas vagas. Quem não tem emprego e não está buscando oportunidades não entra nesse número.

A Pnad retrata tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal. Ou seja, abrange desde os empregos com carteira assinada e CNPJ até os populares bicos.

Após os estragos causados pelo início da pandemia, em 2020, a geração de vagas foi beneficiada pela vacinação contra a Covid-19 a partir de 2021. A imunização permitiu o retorno da circulação de pessoas e a reabertura dos negócios, intensificada em 2022.

A recuperação do trabalho foi acompanhada em um primeiro momento pela queda da renda média, que desabou com a disparada da inflação.

Recentemente, o rendimento deu sinais de melhora com a trégua de parte dos preços e a volta do emprego formal.

A recuperação do mercado de trabalho, contudo, tende a perder velocidade em 2023, segundo economistas. A projeção está associada ao efeito dos juros elevados, que costuma esfriar a atividade econômica e, consequentemente, a abertura de vagas.