O primeiro-ministro do Líbano, Saad Hariri, anunciou nesta terça-feira que vai renunciar ao cargo, dizendo ter chegado a um “beco sem saída” na crise desencadeada por uma onda de protestos sem precedentes que ocorre há duas semanas no país.
Em um breve discurso transmitido pela televisão -recebido pelos manifestantes nas ruas com gritos de alegria, buzinas e fogos de artifício-, Hariri, 49, afirmou que iria apresentar sua demissão ao presidente Michel Aoun.
Desde 17 de outubro, os libaneses vêm fazendo manifestações massivas no país, que passa por sua pior crise econômica desde a guerra civil (1975-1990). Bancos, escolas e universidades estão fechados, e barreiras bloqueiam os principais acessos à capital.
O levante está sendo chamado de “revolução do WhatsApp” porque começou após o anúncio de um plano para cobrar uma taxa sobre chamadas de voz em aplicativos como esse. A cobrança seria de 20 centavos de libra libanesa -equivalente a R$ 0,83- por dia para ligações feitas por meio de programas que usam a tecnologia Voip, que permite chamadas pela internet.
O governo recuou horas mais tarde, mas as manifestações continuaram, evidenciando o descontentamento da população frente a políticos que levaram o Líbano à crise econômica.
“Há 13 dias, os libaneses estão esperando por uma solução política que freie a deterioração [da economia]. E eu tentei, durante esse período, encontrar um caminho de saída pelo qual escutar a voz da população”, disse Hariri nesta terla em seu discurso de renúncia, acrescentando que é “hora de um grande choque para enfrentar a crise”.
“A todos os parceiros na vida política, nossa responsabilidade hoje é em como protegermos o Líbano e recuperarmos sua economia”, completou.
A saída de Hariri era a principal reivindicação dos manifestantes, mas a revolta é dirigida a toda a classe política, considerada incompetente e corrupta.
(FP)
