Sátira aos títulos de espionagem, ‘Argylle’ não depende de Henry Cavill

Dirigido por Matthew Vaughn, produção não teme em brincar com si mesma

Ao contrário do que muitos pensam, filme é estrelado por Bryce Dallas Howard e Sam Rockwell, ao invés de Henry Cavill

Ao contrário do que muitos pensam, filme é estrelado por Bryce Dallas Howard e Sam Rockwell, ao invés de Henry Cavill | Apple Original Films/Divulgação

Matthew Vaughn é um nome que sempre devemos ter atenção. Diretor de ótimos títulos como “X-Men: Primeira Classe”, “Kick-Ass” e “Kingsman”, em “Argylle – O Superespião,” ele volta ao universo da espionagem.

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O marketing em torno desta produção foi bastante curioso, pois a própria Apple divulgou que o enredo era inspirado em um livro escrito pela autora Elly Conway e seu lançamento iria ocorrer na época de estreia do longa (no Brasil, está previsto para o final de fevereiro). Depois de várias investigações, foi descoberto que se tratava da personagem de Bryce Dallas Howard no próprio filme.

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Infelizmente, muitos não compraram a ideia e até então o filme vem sendo um grande fracasso de bilheteria mundial, ficando na casa dos R$ 200 milhões de arrecadação até então, com um custo de aproximadamente R$ 1 bilhão.

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A história gira em torno da reclusa escritora Elly Conway, responsável pela famosa franquia “Argylle”. Depois de uma crise criativa, ela resolve viajar até a cidade de sua mãe (Catherine O’Hara) para tentar descobrir formas de como encerrar o último volume. No trajeto, ela esbarra com Aidan Wilde (Sam Rockwell) que revela o fato dos seus livros serem reais e que vários terroristas estão à sua procura.

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Vaughn sabe como conseguir captar a atenção do espectador pela bizarrice em suas cenas de ação, como por exemplo a chacina na igreja em “Kingsman” ou as cenas de luta de Hit-Girl em “Kick-Ass”. 

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Aqui existem quatro momentos aqui que facilmente entram para este hall, onde o destaque fica para o trabalho de edição, que constantemente intercala a presença de Rockwell e Henry Cavill no mesmo plano.

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Conhecido também por conseguir trazer grandes nomes em seus elencos, além dos já citados, existem participações breves que funcionam, como Samuel L. Jackson, Sofia Boutella, Dua Lipa, Ariana DeBose e John Cena. Embora muitos achassem que Henry Cavill fosse a grande estrela (por conta do marketing focado em sua presença), os verdadeiros protagonistas são Bryce Dallas Howard e Sam Rockwell.

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Além de esbanjarem uma grande química em cena, a dupla possui um semblante perfeito nas cenas de ação, que embora sejam mirabolantes e malucas, casam com a premissa do título. Com direito a própria Howard fazer questão de tirar o salto para correr (Claire Dearing entendeu essa lição) e Rockwell ir além de jogar seus inimigos pela janela durante uma briga.

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Porém, o roteiro de Jason Fuchs (“Mulher Maravilha”) acaba errando um pouco na mão ao tentar encaixar o famoso recurso de várias reviravoltas, com a desculpa esfarrapada de “estarmos falando de um filme de espionagem”. Não existe um tratamento mais firme para isso.

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Outro quesito é o fraco CGI em algumas cenas de ação, pelos quais ficam nítidas as gravações com tela verde de fundo, como o arco inicial da Dua Lipa fugindo em uma moto totalmente feita em computação gráfica. Inclusive até o próprio gato de Elly, Alfie, é feito pelo recurso na maior parte (e isso fica muito mal executado, por conta do fator “Vale da Estranheza”).

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“Argylle – O Superespião” termina como uma divertida sátira aos filmes de espionagem, e entretém na medida certa.